Faz de conta
O Estado de São Paulo teve o privilégio de ser governado por um dos maiores estadistas brasileiros de todos os tempos: André Franco Montoro.
Democrata convicto, ele pautava suas ações públicas por dois princípios, dos quais nunca abriu mão: descentralização e participação. Montoro acreditava firmemente na democracia, na participação popular, na contribuição que as pessoas podem dar para o desenvolvimento da sociedade e gestão da coisa pública. Mas, ao contrário de uma certa gente oportunista, Montoro teve sempre um profundo respeito pelas instituições, jamais se deixou guiar pelo oportunismo cínico que hoje serve de bússola a um certo petismo de mercado.
Não tenham dúvida, minhas senhoras e senhores: o PT se vale da democracia para solapá-la. Que ele conte com o apoio de certas beldades autoritárias é mais que previsível. Que uns e outros se prestem a fazer papel de cereja no bolo petista, bem, é igualmente tão previsto que dispensa qualquer comentário, ainda que ligeiro.
E por que digo isto? Pela simples razão de que a Assembléia Legislativa de São Paulo, por meio da Comissão de Finanças e Orçamento, cuja composição não respeita sequer o critério da proporcionalidade, da representatividade partidária, resolveu brincar com os recursos públicos, com aquele dinheirinho, suado, que sai do bolso de cada um de nós, na forma de impostos e taxas. Como? Fazendo a traquinagem do suposto orçamento participativo " aquele, digamos assim, instrumento petista que faz de conta que a opinião do povo vale algo, uma pataca, se tanto. Quero saber quanto esta gente gastou com isso.
Sob o pretexto de "inovar" e tornar mais "democrático" o orçamento, a Comissão de Finanças e Orçamento resolveu realizar uma série de audiências públicas, para recolher sugestões da sociedade, a fim de que os recursos públicos sejam aplicados de forma mais conveniente. O problema é que ninguém, exceto honrosas exceções, se interessou pelas audiências, além de seus organizadores e " como diria? " seus paus-mandados.
Os números falam por si, põem a nu a falácia petista do orçamento participativo. Prefeitos e vereadores ignoraram solenemente tais reuniões. Do encontro em Avaré, por exemplo, só o prefeito de Piraju esteve presente. Os chefes de Executivo dos demais dezessete municípios da região sequer compareceram. Da audiência de Araraquara, cuja região abriga cerca de 550 mil habitantes, apenas oitenta pessoas marcaram presença. Prefeitos? Nenhum marcou o ponto. Na audiência que deveria debater as prioridades da Região Metropolitana de São Paulo, o fiasco atingiu seu ponto máximo: nenhum dos 39 prefeitos da região compareceu à dita cuja.
Ora, nem o mais tolo dos seres há de imaginar que os prefeitos paulistas sejam todos uns irresponsáveis, uma gente sem nenhum interesse pelo que se passa à sua volta. A questão é bem outra. Ninguém tem mais paciência para endossar o oportunismo do PT e de aliados de última hora. Democracia é coisa séria.
Milton Flávio é professor de Urologia da Unesp, deputado estadual pelo PSDB e vice-líder do governo na Assembléia Legislativa da São Paulo
www.miltonflavio.org
miltonflavio@al.sp.gov.br
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