Para relembrar Carlos Jacchieri
Nesta última edição da Semana Orlando Villas Bôas na Assembléia Legislativa, encerrada na sexta-feira, 29/4, vinte quadros a óleo sobre tela marcaram a presença do talento de Carlos Jacchieri. O artista plástico, falecido em dezembro último, encontrou na arte uma arma para defender o povo brasileiro como um todo, através da temática de sua obra voltada para a identidade nacional.
Pintor, ceramista, escultor, vitralista e escritor, o paulistano Jacchieri teve marcante participação na cultura nacional, tendo sido ainda um dos inspiradores da criação do Centro de Estudos Orlando Villas Bôas, abrigado pelo Instituto do Legislativo Paulista (ILP). Seu empenho contou com o apoio do ex-deputado Claury Alves da Silva, autor de projeto de lei que instituiu a Semana OrlandoVillas Bôas, em 2003.
A principal guardiã de sua obra é Mayra Jacchieri, sua filha. Ela se lembra da participação do pai no meio cultural paulistano desde cedo, como fundador da escola "Darte", fechada em 1976. Na época, freqüentavam-na amigos como Portinari, entre outros artistas contemporâneos. O caderno "Leituras" do Diário Oficial do Estado, tem gravados seus trabalhos como ilustrador.
Edie Araújo Jacchieri, esposa do artista, fala com orgulho das obras dele, como os 16 vitrais que compõem o altar da Catedral da Sé, as 14 telas a óleo "Via Crucis das Vinhas da Ira", na Basílica de Aparecida, em Aparecida. Em Iguape, considerada Patrimônio Histórico da Humanidade pela ONU, o artista deixou sua marca na escultura em madeira, com Jesus crucificado e com vitrais. "Você conhece o cine Bristol, na Paulista?", pergunta, para explicar em seguida que os vitrais do cinema são de Jacchieri.
Na literatura, deixou várias obras, e a mais vendida, com seis edições, foi Não eram os deuses astronautas. Já O Evangelho segundo Jesus Cristo foi a mais consagrada pelo público, com repercussão no meio universitário, onde provocou discussões na área de Ciências Sociais. Em 1976, quando foi publicada, o autor dirigia o programa "Inteligência", na TV Gazeta, outro palco de discussões. Em seu currículo, está guardada uma carta original do escritor José Saramago, autor de obra com o mesmo nome, dizendo não haver discordância, já que o seu livro é um romance e o de Jacchieri, não.
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