Seminário avalia as lições da Era Vargas
Clique para ver a imagem " alt="Rubem Barboza Filho: "A idéia de nação perdeu a importância" Clique para ver a imagem ">
Um "diálogo fictício, mas dramático" entre o período de 1930-1964 e a época atual. Esse foi o roteiro escolhido pelo cientista político Rubem Barboza Filho, da Universidade Federal de Juiz de Fora, para mostrar como o conceito de nação proposto pela era Vargas foi abandonado nos três mais recentes governos federais brasileiros.
"A idéia de nação perdeu importância, tornou-se um álibi para a realização de negócios e a entrada no processo de globalização", afirmou Barboza, ao referir-se aos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, durante a palestra "Quanto ainda Dialogamos com a Era Vargas?", proferida nesta sexta-feira, 29/4, como parte de seminário realizado pelo Instituto do Legislativo Paulista.
Entre as premissas da era Vargas apontadas por Barboza estão o fortalecimento da noção de identidade nacional, a inserção de forma mais autônoma no cenário internacional e o capitalismo dirigido por razões de Estado. "É nessa época que o Brasil começa a existir para valer", ele avalia.
É na contramão dessas idéias que caminha a era dos paulistas no poder " definição provocativa que Barboza adota para se referir aos governos federais a partir de 1994. O cientista social cita, a esse respeito, declarações de FHC e de Lula, um afirmando que é preciso destruir a era Vargas, o outro definindo a legislação trabalhista como o AI-5 do trabalhador.
Para o professor da UFJF, a era Vargas não rompe com o passado. Pelo contrário, olha para a sua tradição civilizacional ibérica para repudiar a sociedade fragmentada da Primeira República e reconstituir a idéia de um país como comunidade. Ela trabalha a solidariedade como um conjunto de mecanismos que permite à população perceber que está incluída na sociedade.
"O que nos faz sentir brasileiros hoje e como se está recriando essa idéia de solidariedade?", ele questiona. "Se a era Vargas pudesse fazer uma pergunta aos dias atuais, ela diria: "Vocês se tornaram fatalistas?"", completa Barboza.
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