Ex-interno da Febem relata experiência no período da ditadura
14/11/2013 16:11 | Da Redação: Josué Rocha - Fotos: Roberto Navarro
Audiência pública da Comissão Estadual da Verdade ouviu nesta quarta-feira, 13/11, Asdrubal Serrano, internado na Febem em 1973, desde os dois anos de idade. Sofreu diversos abusos e violências nas unidades por onde passou, principalmente na de Batatais, onde foi estuprado e torturado diversas vezes.
O depoente observou que seu nome de batismo é Augusto Cesar Serrano, e que passou a ser chamado de Asdrubal porque os internos, para se protegerem dos vigilantes, usavam codinomes.
Ele afirma que resolveu assumir Asdrubal como seu nome após sair da fundação para não ficar com o nome que era usado pela instituição. Amelinha, assessora da Comissão da Verdade interpretou tal decisão como um fruto da resistência exercida por Asdrubal. "Você sobreviveu porque resistiu", ela concluiu.
Violência sexual
Asdrubal relata que sua família o entregou à Febem por questões financeiras (naquela época, tal prática era permitida). Após passar pelas unidades de São Mateus e Educandário Nossa Senhora do Amparo, de Campinas, foi transferido, aos nove anos de idade, para a unidade de Batatais. Os funcionários lhe disseram que lá ele aprenderia a ser homem. "Fui enviado para a solitária e já na primeira noite fui estuprado por outros seis internos", relatou, bastante comovido. Naquela unidade, tinha de optar entre o estudo e o almoço. "Se não fôssemos para a lavoura, não tínhamos direito à refeição", lembrou.
Ao mostrar imagens do local onde ficou internado, Asdrubal se emocionou várias vezes. Numa delas, ao ver um local conhecido como Casa das Enxadas, disse que havia enxadas de diversos tamanhos para serem usadas por todas as crianças e adolescentes. O deputado Adriano Diogo (PT), presidente da Comissão, sublinhou que esse depoimento transcende o objetivo da comissão. "É um relato para a humanidade", asseverou o parlamentar, observando que a postura do Estado na época revela uma espécie de "repressão difusa" ocorrida durante a ditadura.
Guerreiros Urbanos
Embora seu ingresso na fundação não tenha se dado por razões de militância política, Asdrubal relata que todas as vezes que os internos passavam por sessões de espancamento eram chamados de "comunistinha de merda" ou "terroristinha". Ele afirmou que não entendia nada, até porque ele associava a palavra comunista à "comunhão", pregada pelo padre nas vezes em que ia à missa. Em relação à segunda, confundia com filme de terror, que nunca apreciou.
Egresso da fundação desde os 15 anos (em 1986), Asdrubal apresenta sequelas do período de cárcere. Disse que vive em constante conflito pessoal, tem dificuldade no relacionamento interpessoal, não consegue confiar nas pessoas e passa por períodos de depressão. Atualmente ele se dedica ao Projeto Guerreiros Urbanos, que desenvolve oficinas de teatro em comunidades socialmente vulneráveis.
Além de alguns bairros da zona leste da capital paulista, o projeto tem atividade semelhante no município de Caconde, onde a proposta é a desmistificar, através de peças teatrais, a história do ex-presidente da República Ranieri Mazzilli, natural daquela cidade. Em 1964, Mazzilli ocupava interinamente a presidência da República quando houve o golpe militar.
Ao final, Asdrubal agradeceu o apoio recebido do prefeito de Divinolândia, Ismar de Oliveira, e do vereador de São Paulo, Beto Custódio, que dão suporte para essa atividade desenvolvida nas comunidades.
Também emocionado, o prefeito Ismar de Oliveira disse que suas lágrimas falavam o que ele sentia. "Que nunca mais ninguém passe pelo que passou Asdrubal e outras vítimas da ditadura, que ceifou tantas vidas que lutavam por liberdade", concluiu o prefeito.
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