Encontro de Filosofia discute propostas curriculares para o ensino médio
21/08/2014 19:25 | Da Redação Fotos: Mauricio de Souza
Acontece, nos dias 21, 22 e 23 de agosto, na Assembleia Legislativa, o II Encontro de Filosofia, organizado pela Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Estado de São Paulo (Aproffesp), com o objetivo de debater propostas curriculares de Filosofia para o ensino médio.
Para uma plateia de professores de Filosofia do ensino médio de diversas partes do Estado de São Paulo, o presidente da Aproffesp, Aldo Santos, discorreu, na manhã da quinta-feira, 21/8, sobre a importância do ensino da Filosofia aos jovens, na medida em que é preciso que o filósofo dê sua contribuição na luta para as mudanças necessárias à sociedade.
Aldo Santos fez um recorte dos movimentos filosóficos que se refletem no processo social e educacional, lembrando que a Filosofia contemporânea tem seu marco inicial na Revolução Francesa. Enfatizou a importância do debate sobre a forma de transmissão da disciplina a partir de como a escola se estrutura, de suas necessidades e características.
O deputado Carlos Giannazi (Psol) lembrou que a reforma educacional promovida pelo governo militar no Brasil retirou, da grade curricular, o ensino da Filosofia, que começou a voltar à escola nos anos 80, embora ainda não de forma obrigatória. Recentemente, a Filosofia passou a ser disciplina obrigatória no ensino médio. "Trata-se de uma disciplina em construção, pois ficou muito tempo fora. Mas ela já tem dado sua contribuição para a formação da cidadania e para o diálogo com outras disciplinas", observou o deputado. De acordo com ele, o desafio a ser enfrentado é a consolidação de propostas de como ensinar a Filosofia no ensino médio.
O professor de Filosofia da Universidade de São Paulo, filósofo e articulista de diversos órgãos de imprensa, Vladimir Safatle, afirmou que o trabalho do professor da disciplina no ensino médio é despertar a crítica e o rigor em nossos adolescentes. As dificuldades são enormes, acrescentou: problemas de infraestrutura nas escolas e, principalmente, a sobrecarga de trabalho dos professores, que dificulta a já hercúlea tarefa de ensinar Filosofia.
Pensamento organizado
Segundo Safatle, a disciplina é peça chave e decisiva para promover nos jovens a organização do pensamento. A discussão de como ensinar é objeto do debate de diversos países em que o ensino da Filosofia já ocupa lugar preponderante.
Há algumas vertentes, esclareceu o filósofo, utilizadas para sua transmissão. A principal delas é o ensino por intermédio de livros didáticos em que se privilegia a História da Filosofia de forma cronológica. Contudo, observou, trata-se de tarefa impossível, na medida em que o aluno acaba por absorver o processo de forma fragmentada, pois, em última instância, os conteúdos filosóficos demandariam muito tempo para serem contextualizados e devidamente transmitidos.
A outra maneira de ensino, a qual Safatle considera a mais adequada, seria a confecção de livros didáticos baseados em alguns textos-chave, e a organização de todo o material de discussão a partir deles. Há uma especificidade na leitura de um texto filosófico, explicou. A maneira como o texto expõe seus diálogos internos é muito diferente daquela dos textos de outras áreas. Por isso " revelou Safatle " na universidade, alunos de outras áreas frequentam o curso de Filosofia com um objetivo: aprender a ler, levando em consideração o aprofundamento e o contato com o texto.
A tarefa pedagógica, acrescentou, é ensinar para os alunos que há outro tempo de leitura: ler Filosofia tem a ver com a capacidade de habitar um tempo que não é o presente. Por exemplo, é demonstrar que a leitura de A República, de Platão, é contemporânea, na medida em que algo de nós é a ressonância desse tempo passado.
"Nós, professores de Filosofia, habitamos vários tempos ao mesmo tempo. Na Filosofia, vivemos tempos transversais", disse Safatle, acrescentando que isto é uma das maiores contribuições da matéria que só ela pode proporcionar.
Outra dimensão relevante em seu ensino para o nível médio, propôs Safatle, é o ensino da Lógica, o qual desenvolve o pensamento crítico aliado ao rigor, instrumentos imprescindíveis para o desenvolvimento da capacidade crítica do jovem.
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