Em Iporanga, professoras têm de caminhar 12 km para ir e voltar ao trabalho
Mesmo tendo de caminhar seis quilômetros por uma trilha no meio da mata para chegarem ao seu local de trabalho, professoras e professores que atuam no quilombo de Bombas, no Alto Vale do Ribeira, não recebem Adicional de Local de Exercício (ALE). A bonificação, de até 20% sobre o salário, serve como incentivo aos servidores que se dispõem a atender áreas de risco ou de difícil acesso, caracterizadas pelo grau de vulnerabilidade social.
Provavelmente não há no Estado outra sala de aula com acesso tão precário como a casa de madeira onde funciona uma extensão da EE Nascimento Satiro da Silva, do município de Iporanga. Tanto que os docentes costumam optar por dormir na comunidade, praticamente acampando em uma casinha de taipa, até cumprirem a carga horária semanal.
"São os próprios professores que cozinham e servem a merenda. E os mantimentos, eles têm que levar nas costas", afirmou Carlos Giannazi (PSOL) na Alesp, em 12/3. De tão acidentado o relevo, nem mesmo mulas transitam pela picada que leva ao local. A única ajuda vem de membros da comunidade e dos alunos mais velhos da escola, que com frequência se dispõem a acompanhar os professores para dividir a carga.
"Esta é a terceira vez que apelo à Secretaria da Educação para que o ALE seja concedido a esses professores. Dar o benefício, que já foi solicitado pela direção da escola e pela diretoria de ensino de Apiaí, é o mínimo que o governo tem de fazer", concluiu.
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