Patrimônio afro-paulista: solenidade celebra cinquentenário e pede tombamento do terreiro Axé Ogodo
10/10/2025 18:41 | Reconhecimento | João Pedro Barreto - Fotos: Rodrigo Costa
"A história que estamos contando é a de um terreiro que resistiu a uma cultura de racismo religioso." Foi assim que a deputada Monica Seixas do Movimento Pretas (Psol) definiu a solenidade realizada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo na noite desta quinta-feira (9), que celebrou os 50 anos do terreiro Axé Ogodo. A casa de candomblé Ilê Axé Omon Obá Olooke Ty Efon é uma das mais antigas de São Paulo e fica situada na cidade de Guarulhos.
"Estamos comemorando o aniversário de um dos terreiros mais antigos da história de São Paulo e você pode pensar que temos mais de 500 anos, igrejas católicas seculares, e templos de outras religiosidades preservadas. 50 anos é pouco, mas é a resistência de um terreiro", disse a deputada, que promoveu o evento.
Monica destaca que, não muito tempo atrás, casas de umbanda e candomblé não colocavam placas nas ruas, não recebiam seus membros publicamente e evitavam tocar os tambores. "A maior parte delas não durava muito tempo", disse ela. "Recentemente, a gente vem conquistando que os terreiros se instalem e perdurem. Por isso, queremos celebrar esse marco de resistência dessa fé, desse terreiro e também da memória do povo preto do Estado de São Paulo", complementou.
Tombamento
Além da celebração, a solenidade teve o objetivo de pleitear o tombamento da casa Ilê Axé Omon Obá Olooke Ty Efon junto ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Lucas Almeida, que é frequentador da casa, conselheiro do Instituto de Direito do Patrimônio Cultural e coordenador do Museu dos Aflitos, contou que a casa já conseguiu o tombamento em nível municipal, mas ampliar é essencial para reconhecer sua ligação com a história e a cultura afro-paulista e brasileira. "Ela tem conexões com as casas tradicionais da Bahia e do Rio de Janeiro. Então, é uma casa significativa para a memória nacional e paulista", defendeu.
Almeida explicou que o processo de tombamento requer uma série de documentos que comprovem a "relevância histórica, social, artística e de memória". "Isso significa que o Estado brasileiro reconhece essa casa como importante. Um país que passou por séculos de escravidão precisa reconhecer esses patrimônios culturais que mantiveram e mantêm até hoje os direitos fundamentais de memória e verdade sobre a escravidão", afirmou.
Além do reconhecimento simbólico, ele destacou que o tombamento é uma forma de proteger o espaço físico do terreiro. "A casa e o arredor se mantêm protegidos da gentrificação e da especulação imobiliária. Isso é muito importante para as comunidades tradicionais de matrizes africanas, uma vez que a natureza importa também no processo do culto", ressaltou Almeida.
A deputada Monica Seixas ainda reforçou que, para o candomblé, o local onde acontecem os ritos são ainda mais importantes do que em outras religiões. "Para os terreiros, a terra, aquele chão pisado e batido tem uma simbologia. É importante reconhecer para preservar aquele espaço sagrado e para que ele não seja forçado a mudar de lugar", explicou.
A parlamentar disse que vai oficiar os órgãos estaduais e federais pedindo o tombamento e ainda vai encaminhar um projeto de lei para reconhecer a casa como patrimônio cultural do Estado de São Paulo.
Um dos frequentadores mais antigos da casa, o bàbá kekere Pai André Ricardo explicou que, além da religiosidade, o espaço ainda abriga a Associação Casa de São Pedro, a qual ele preside. "A gente faz um trabalho junto à comunidade, dá aquela força. O terreiro está localizado em uma região carente e, para a comunidade da região, é muito importante", disse o líder religioso que já está na casa há 40 anos.
A casa
Fundada por Mãe Efigênia de Xangô em setembro de 1975, a casa Ilê Axé Omon Obá Olooke Ty Efon, mais conhecida como Axé Ogodo, surgiu na zona sul da Capital paulista, onde Mãe Efigênia foi iniciada na religião. Depois de mais de 20 anos no mesmo local, após o falecimento de Mãe Efigênia, a casa se mudou para Guarulhos, onde está até hoje.
"Mãe Efigênia foi muito importante para mim e para o candomblé. Eu fui para a casa dela com 20 anos e ela foi um espelho. Uma mulher de muito caráter. Aprendi muita coisa vendo a luta daquela mulher negra, integrada numa sociedade branca, sempre muito bem vista e querida", comentou André Ricardo.
Assista à solenidade, na íntegra, na transmissão da Rede Alesp:
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