Outubro Rosa: autoestima e acolhimento transformam luta contra câncer de mama

Campanha reforça a importância do diagnóstico precoce para aumentar chances de cura e reduzir impactos físicos e mentais
17/10/2025 15:02 | Batalha contra o câncer | Louisa Harryman - Fotos: Jan Lorena/Agência Alesp/ Sandra Gonçalves/ Reprodução Facebook

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Sandra recebeu o primeiro diagnóstico em 2014<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2025/fg354925.jpeg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Exames de rotina aumentam chance de cura<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2025/fg354939.png' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Sandra: eu me apaixonei por mim<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2025/fg354941.jpeg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Ong Viva Melhor acolhe mulheres há 26 anos<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2025/fg354940.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

Todos os anos, mais de 70 mil mulheres recebem o diagnóstico de câncer de mama no Brasil - é o segundo tipo mais comum entre o sexo feminino, atrás apenas do câncer de pele. A campanha "Outubro Rosa" foi criada para alertar sobre a importância da prevenção e detecção precoce da doença, e neste domingo (19), marca o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama.

Apesar do número elevado de diagnósticos, a doença apresenta uma taxa de mais de 90% de chance de cura para casos diagnosticados em fase inicial. Por isso, os exames de rotina, como a mamografia, são indispensáveis para mulheres com mais de 40 anos, e em qualquer idade quando há casos na família ou nódulos palpáveis.

No Estado de São Paulo, a Lei 16.760/2018 autorizou o governo a implantar Centros de Alta Resolutividade (CARE) para o diagnóstico do câncer de mama em hospitais regionais estratégicos. A medida é importante para reduzir o tempo de diagnóstico e de acesso ao tratamento adequado.

Além do acompanhamento médico, é fundamental que a mulher conheça o próprio corpo e realize o autoexame para detectar qualquer anormalidade:

Procedimentos cirúrgicos

O tratamento do câncer de mama, na maioria dos casos, envolve cirurgias para remoção do tumor. Essas operações consistem na remoção total da mama, chamada de mastectomia, ou em cirurgias conservadoras, que retiram o tumor enquanto preservam parte da mama.

A escolha do tipo de procedimento depende do tamanho do tumor, da proporção em relação ao tamanho da mama e da localização a ser retirada. O mastologista Rogério Fenile explica que, quanto antes o diagnóstico for feito, as chances de realizar uma cirurgia conservadora são maiores.

Com o desenvolvimento da oncoplastia, técnica que associa solução oncológica com solução estética, as cirurgias têm avançado quanto à diminuição de impactos na aparência da mama. "Tem a mastectomia nipple sparing, que poupa a pele e o complexo aréola papilar, ou seja, preserva todo o envelope de pele, do mamilo e da aréola. E tem a skin sparing, que tira o complexo aréola papilar e a glândula por dentro, preservando só a pele", exemplifica Fenile.

O mastologista também explica que em todos os casos é possível utilizar algum recurso de reconstrução da mama, mas nem sempre junto com a cirurgia de retirada do tumor. "Quando você tira muita pele ou não cabe uma prótese de silicone, pode utilizar um expansor, que é uma prótese intermediária. Ela vai vazia, a válvula fica sob a pele e vai preenchendo com soro ao longo de algumas semanas, para posteriormente trocar esse expansor por outra prótese".

Autoestima

Sandra Gonçalves descobriu um nódulo na mama em 2008, aos 39 anos. Durante quatro anos, ouviu dos médicos que poderia ser "leite empedrado" ou que "era coisa da cabeça". Foi só em 2013, quando o caroço já estava do tamanho de um limão taiti, que veio o diagnóstico de câncer de mama - na época, a família passava por nove casos de câncer ativos na família.

Em fevereiro de 2014, Sandra passou por uma cirurgia conservadora, e em 2017, com a recidiva da doença, foi submetida a mastectomia radical. Com as metástases do primeiro tumor, ela já passou por cinco diagnósticos diferentes, o mais recente de células cancerígenas no fígado.

Desde o primeiro diagnóstico, Sandra já perdeu todo o cabelo cinco vezes. Na primeira, relata que foi um processo complicado e procurou se isolar. Com o tempo, aprendeu a lidar melhor com a situação: "toda vez que eu estava pronta para sair para a radioterapia, eu tirava uma foto. Nessa foto eu aprendi a sorrir, eu aprendi a gostar da Sandra, eu me apaixonei por mim".

Hoje, Sandra passa por cuidados paliativos, que melhoram sua qualidade de vida. "Vou continuar sendo eu. Vou sorrir todos os dias e continuar de salto alto. Enquanto eu estiver viva, enquanto eu estiver respirando. Quando a morte chegar, vai me encontrar vivendo, porque eu me recuso que seja diferente", destacou.

Rede de apoio

Há 26 anos, a ONG Viva Melhor apoia mulheres que passam pelo diagnóstico do Câncer de Mama no ABC paulista. Uma das fundadoras, Vera Teruel, explica que a ideia de criar a associação surgiu após a sua própria batalha contra a doença. "Nesse tempo, muitas mulheres chegam até nós, muitas vezes careca, sem mama, autoestima muito baixa, precisando de apoio, de ajuda psicológica. Então, nós acolhemos essa paciente a partir do momento que ela recebe o diagnóstico".

O espaço da ONG abriga uma coleção de perucas e lenços, que são emprestados, e uma confecção de próteses de polietileno, que são doadas. As próteses são colocadas dentro de sutiãs especiais e apresentam o mesmo formato da mama. "Vemos no semblante a diferença que existe quando coloca a prótese, põe uma peruca. Então, dali pra frente, já percebe que vai recuperando a autoestima e o quanto é importante essa recuperação mesmo pra cura da doença", destaca Vera.

Sandra usa suas redes sociais para contar sua história e acolher mulheres que enfrentam o câncer. Ela conta que a motivação para continuar é que, através dos seus relatos, muitas mulheres fizeram autoexame ou foram atrás de serviços médicos, e hoje estão tratadas. "Eu não sei te dizer o que eu sinto, porque eu brigo por mim e eu acabo ajudando quem eu nem conheço", completa.

alesp