Audiência na Alesp defende cotas trans em universidades paulistas

Objetivo é reduzir marginalização e ampliar participação da parcela da população na produção científica; Unicamp foi a primeira universidade estadual a aprovar as cotas
30/10/2025 11:08 | Inclusão | João Pedro Barreto - Fotos: Rodrigo Costa

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Audiência defende cotas trans em universidades paulistas<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2025/fg355559.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Evento reuniu estudantes docentes e entidades<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2025/fg355560.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Carolina Iara: negligenciadas do processo de fazer conhecimento<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2025/fg355561.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Monica Seixas: fazer de suas vidas o que quiserem<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2025/fg355562.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Alves Neto: ciência avança quando há diversidade<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2025/fg355563.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Luara Souza: novas perspectivas e novos olhares<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2025/fg355564.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

Com o objetivo de debater alternativas para a inclusão de pessoas trans e travestis, uma audiência pública, realizada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo na noite desta quarta (29), defendeu a adoção de cotas para essa parcela da população nas universidades estaduais paulistas. O evento foi promovido pela deputada Paula da Bancada Feminista (Psol) e recebeu estudantes, docentes e membros da sociedade civil organizada.

"Nós fomos negligenciadas do processo histórico de fazer conhecimento e de estar dentro do sistema educacional. A maioria das travestis são expulsas de casa aos 14 anos de idade, são colocadas na prostituição compulsória, na extrema pobreza e na exploração sexual de menores", comenta a codeputada da Bancada Feminista, Carolina Iara.

Mulher travesti e intersexo, Carolina defende a ampliação de políticas educacionais para pessoas trans, população "historicamente marginalizada". "A exemplo das cotas étnico-raciais, que já foi aprovada e está, inclusive, no setor público, queremos também incluir essa população minoritária", concluiu ela.

Segundo pesquisas do Grupo de Estudos Multidisciplinar da Ação Afirmativa (Gemaa), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, apenas 0,3% dos estudantes de universidades federais são trans. Ao mesmo tempo, uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp apontou que 2% da população brasileira se identifica como transgênero ou não-binário.

Outro dado que mostra as dificuldades no acesso ao ensino é o de que cerca de 70% das pessoas trans não concluem o ensino médio, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).

A deputada Monica Seixas do Movimento Pretas (Psol) citou os números e disse ser uma "responsabilidade gigante" garantir o ingresso dessas pessoas à educação. "Precisamos acessibilizar a população trans e travesti ao ensino médio completo e às universidades públicas para poderem, enfim, fazer de suas vidas o que quiserem", disse ela.

Conquista histórica

Apontado como uma conquista histórica, o início das cotas trans na Unicamp foi tema de debate durante a audiência. Primeira universidade estadual a implementar a política de inclusão, a Unicamp disponibilizará mais de 100 vagas exclusivas a essa parcela da população por meio da nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Segundo o diretor da Comissão Permanente de Vestibulares da Unicamp (Comvest) e integrante do Grupo de Trabalho que elaborou a nova política, José Alves Neto, a implementação levou em conta experiências de outras universidades e de programas de pós-graduação da própria Unicamp. A maior parte das vagas, explicou o professor, serão adicionais, ou seja, não vão tirar vagas da chamada "ampla concorrência" ou de outros grupos que têm direito a cota. Para o vestibular deste ano, 120 pessoas estão inscritas no programa.

"A universidade amplia a sua qualidade porque a ciência avança quando há diversidade de pensamento. Temos que tirar essa ideia de que política de inclusão é contrária à qualidade e à excelência", pontuou José Alves Neto.

Estudante de ciências sociais da Unicamp, Luara Souza é também coordenadora do Núcleo de Consciência Trans da universidade e defende que a inclusão de pessoas transgênero pode render bons frutos, assim como as cotas para pessoas pretas, pardas e indígenas.

"Pessoas trans e travestis compõem o painel da sociedade e elas também precisam estar nas universidades não só porque estão desamparadas pelo Estado, mas também pelo seu intelecto, pela oportunidade de contribuir para a pluralidade acadêmica e intelectual", afirmou.

"Vamos trazer novas perspectivas e novos olhares. As pessoas trans não serão mais apenas quem é observado pelo cientista, mas, enquanto cientistas, poderão observar a sociedade e poder dizer o que pode ser feito para esse cenário de desigualdade não mais acontecer", complementou ela.

Assista à audiência, na íntegra, na transmissão da Rede Alesp:

Confira a galeria de imagens da audiência

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