Audiência discute políticas de cuidados para bebês prematuros na Alesp
03/11/2025 18:30 | Saúde | Da Redação - Fotos: Bruna Sampaio
O nascimento de bebês antes das 37 semanas de gestação pautou, nesta segunda-feira (3), uma audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo, a pedido da deputada estadual Marina Helou (Rede). Ela é autora da lei que instituiu o Dia Estadual da Prematuridade (17 de novembro) no Calendário Oficial paulista, em sintonia com a campanha mundial de sensibilização sobre a causa, o Novembro Roxo. Os bebês prematuros - que representam em média 12% dos partos no estado - enfrentam risco elevado de mortalidade, internações prolongadas e complicações respiratórias, neurológicas e motoras.
A deputada - cujo primeiro filho nasceu prematuramente - afirmou que políticas públicas com suporte social contínuo são decisivas para garantir atendimento adequado a recém-nascidos e assistência à saúde materna, com ênfase em planejamento familiar, pré-natal de qualidade e vacinação. "Cuidar da mãe é também cuidar do prematuro", disse a deputada, ao destacar que o apoio institucional dá condições para que a família ofereça cuidado integral ao bebê. Marina acrescentou que a mobilização do Novembro Roxo é fundamental para canalizar recursos públicos e manter o tema na agenda.
A mobilização na Alesp pelo Novembro Roxo contou com o apoio da Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros (ONG Prematuridade.com). Denise Suguitani, diretora da entidade, destacou que os bebês prematuros têm potencial para sobreviver, prosperar e fazer a diferença no mundo, e ressaltou a importância de investimentos na saúde e no desenvolvimento desses recém-nascidos. A Prematuridade.com é a única organização sem fins lucrativos dedicada ao tema em âmbito nacional.
Palestras
Durante a audiência na Alesp, especialistas e gestores públicos defenderam a adoção de políticas públicas integradas que articulem prevenção, atenção especializada e acolhimento às famílias. Eles cobraram avanços nas estratégias de imunização, como o uso de vacinas com menor reatogenicidade, e reforçaram a necessidade de garantir a vacinação de acordo com a idade cronológica.
A ginecologista-obstetra Roseli Nomura disse que, embora alguns partos prematuros sejam inevitáveis - é crucial que os profissionais de saúde identifiquem e monitorem fatores de risco, como histórico de gestações prematuras, gravidez de gêmeos, infecções e pré-eclâmpsia. Diretora da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Nomura enumerou medidas preventivas necessárias: acesso a um pré-natal de qualidade e o diagnóstico e tratamento precoces de infecções.
A neonatologista Lilian Sadeck, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), salientou que o atendimento qualificado é essencial para assegurar o desenvolvimento pleno das crianças até a vida adulta. Ela citou o "minuto de ouro", período em que os primeiros cuidados influenciam diretamente a sobrevida e a qualidade de vida dos bebês prematuros. A médica ainda endossou a relevância do contato pele a pele para fortalecer o vínculo entre mãe e filho e lembrou o papel essencial do pai nesse período.
O pediatra infectologista Renato Kfouri pontuou que a vacinação é indispensável para bebês prematuros e deve começar ainda na maternidade. Ele lembrou que a prematuridade é a principal causa de mortalidade infantil no país e defendeu a revisão do calendário de vacinação para esse grupo, incluindo vacinas mais eficazes e a adoção de um protocolo de cuidado que ofereça imunização tanto aos recém-nascidos quanto às equipes de saúde e aos familiares que convivem com eles.
Alta da prematuridade
Cátia Martinez, presidente do Comitê de Vigilância de Óbito Materno e Fetal da Secretaria de Saúde do Estado, reconheceu o crescimento dos partos prematuros em São Paulo, paralelamente à diminuição do número absoluto de nascidos vivos. Em 2015, a taxa era de 10,8%, e a projeção para 2025 é de 12,1%. Ou seja, mesmo com menos nascimentos totais, o número relativo de prematuros aumentou. A gestora ressaltou que qualquer gestante pode enfrentar um parto prematuro, independentemente de suas condições.
Colo salva
Na audiência, Adriana Rampazio, mãe de prematuros, compartilhou a experiência da prematuridade de seus gêmeos, Diogo e Lucas, nascidos em 2018 com 25 semanas de gestação devido à síndrome de transfusão feto-fetal, um desequilíbrio nos vasos sanguíneos da placenta. Diogo permaneceu 106 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Lucas, 158 dias, necessitando de oxigênio. Adriana ressaltou a importância da amamentação e do contato físico. "Eu falo que o colo salva, o colo cura, no colo a vida recomeça", declarou Adriana, emocionada.
Assista à audiência, na íntegra, na transmissão da Rede Alesp:
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