Luta por Instituto Federal no Grajaú ganha força em audiência pública na Assembleia Legislativa
11/11/2025 11:28 | Atividade Parlamentar | Da assessoria do deputado Carlos Giannazi
Por iniciativa do deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL), o plenário José Bonifácio da Assembleia Legislativa sediou, em 6/11, uma audiência pública com dezenas de moradores, lideranças comunitárias, parlamentares e representantes do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) para dar um novo impulso à antiga luta da região pela implantação de um campus do IFSP na zona sul de São Paulo, possivelmente no distrito do Grajaú, o mais populoso da capital paulista.
Carlos Giannazi destacou sua longa militância pela implantação de uma universidade federal na região, inclusive com a aprovação de uma lei de sua autoria - quando era vereador - prevendo a doação de uma área do município para a instalação de uma unidade da Unifesp em Santo Amaro. Depois de o projeto de expansão da universidade federal ter sido praticamente abandonado durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, agora o campus está sendo retomado e há a previsão de construção de um hospital universitário.
Giannazi lembrou que o anúncio de 100 novos Institutos Federais realizado pelo presidente Lula no ano passado é insuficiente, porque prevê a construção de apenas dois institutos federais em uma metrópole do porte de São Paulo: um no Jardim Ângela e outro em Cidade Tiradentes. Por isso, cobrou também do governo estadual e federal a implantação de campi da USP, Unicamp e Unesp no extremo sul da capital, além de Fatecs e Etecs, equipamentos essenciais para uma região maior do que muitas cidades do interior e que concentra uma população que não pode arcar com os custos proibitivos do ensino privado.
Abandono e invisibilidade
A coordenadora do movimento por uma universidade pública do Grajaú, a professora de filosofia e psicanalista Sheila Paulino, apresentou um diagnóstico contundente dos distritos de Grajaú, Parelheiros e Cidade Dutra, que compõem a prefeitura regional de Capela do Socorro.
"O Grajaú hoje é o distrito mais populoso da cidade de São Paulo, com mais de 390 mil habitantes. Tem a segunda população preta e parda da capital; 47,8% de seus habitantes têm entre 0 e 29 anos, e a taxa de emprego formal é uma das piores", enumerou. "Parelheiros tem cerca de 154 mil habitantes; 50% deles são jovens de 0 a 29 anos e possui a terceira população preta e parda de São Paulo. É um território com 11 aldeias indígenas, a maior área de preservação ambiental do município e a maior extensão rural, mas só tem 30% de coleta de esgoto."
Sheila questionou a histórica negligência com a região. "Não é possível que esse canto da cidade esteja eternamente esquecido. Ainda hoje não há biblioteca, teatro ou museu abertos ao grande público. O que temos são alguns dos piores índices da cidade em educação, saúde, letalidade policial, feminicídio, violência contra LGBTs, déficit de moradias, desemprego ou emprego precarizado. Se não houver um investimento robusto nessa população jovem agora, o município de São Paulo terá de lidar com toda uma geração excluída".
Compromisso do IF
Representando o IFSP, o diretor-geral do campus São Vicente, Eduardo Modena, trouxe o comprometimento formal da instituição, que já tem 41 campi funcionando e a tarefa de implantar mais 13, a cota de São Paulo no pacote de 100 novos campi em todo o país. "No que depender do Instituto Federal de São Paulo, nós ficaríamos muito felizes de ter a incumbência de abrir mais um campus lá no Grajaú", afirmou.
Modena lembrou que, entre os campi anunciados em 2024, apenas 12 seriam destinados a São Paulo: além dos já citados Jardim Ângela e Cidade Tiradentes, na capital, os de Osasco, Santos, Diadema, Ribeirão Preto, Sumaré, Franco da Rocha, Cotia, Carapicuíba, São Vicente e Mauá. "Guarujá conseguiu um 13º campi em um movimento popular muito parecido com este", relatou, incentivando os participantes.
O deputado federal Nilto Tatto (PT) reforçou a importância de uma frente ampla e suprapartidária pela causa. "Toda vez que conseguimos conquistar um equipamento dessa envergadura, como o Hospital do Grajaú, foi através de mobilização. Por isso, precisamos criar um ambiente que consiga congregar todos os parlamentares, movimentos, igrejas e sindicatos".
Vozes do território
Ao longo da sessão, moradores e ativistas deram depoimentos emocionados sobre as dificuldades de acesso ao ensino superior. A professora Elisete, do Coletivo Biguá Ecoestudantil, relembrou sua saga nos anos 1980. "Eu estudava na Osec (atual Unisa), trabalhava em metalúrgica, saía da empresa e ia direto pra faculdade sem jantar. Chegava em casa quase à meia-noite. Ônibus superlotado, pendurada. E muito pouco mudou em quase 40 anos. Que os jovens de amanhã não passem pelo que nós passamos."
Tabata Mendes, moradora do extremo sul, narrou o drama de ter que abandonar uma bolsa no ProUni. "Fui direcionada para um campus muito distante. O transporte era tão inviável que, voltando da faculdade, precisei pedir carona para desconhecidos, andando quilômetros sozinha à noite. Tive que desistir da bolsa. A distância, e não a falta de vontade, foi o que inviabilizou meu direito de estudar".
Próximos passos
Como encaminhamentos, ficou acertado que a Assembleia Legislativa, por meio do deputado Giannazi, cederá espaço periodicamente para que o movimento prossiga com suas reuniões e articulações. O advogado Maurício Canto, um dos idealizadores da audiência, afirmou que aquela seria apenas a primeira de uma série de audiências, que seriam realizadas até a efetiva obtenção de uma universidade pública na região da Capela do Socorro.
"Com o apoio do deputado Giannazi, a Assembleia Legislativa vai ser o nosso quartel-general para a construção desse projeto. É importante que nós tenhamos esse espaço público de relevância para que a comunidade do Grajaú seja ouvida, já que ela vem sendo esquecida pela classe dirigente, pela elite econômica e pela Faria Lima", disse o advogado, que vê na educação de qualidade a única forma de se escapar de toda uma lógica de exploração e submissão.
A deputada Luciene Cavalcante e o vereador paulistano Celso Giannazi, ambos do PSOL, enviaram vídeos se solidarizando ao movimento.
A sessão foi encerrada com performance artística de Manu IDP e MC Cérebro e apresentação do músico Zé Márcio, que, com versos e canções, lembraram a potência cultural da periferia e a urgência de que os livros cheguem antes das armas.
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