Audiência na Alesp busca ampliar vacinação contra HPV entre jovens de até 19 anos
17/11/2025 18:47 | Conscientização | João Pedro Barreto - Fotos: Larissa Navarro
Uma audiência pública, realizada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, debateu o tema da vacinação contra o HPV (papilomavírus humano) no estado e no Brasil. O evento foi realizado nesta segunda-feira, 17 de novembro, Dia Mundial de Ação para a Eliminação do Câncer do Colo do Útero. O HPV é o meio fator de risco para a doença e está relacionado a 90% dos casos.
Promovida pela deputada Solange Freitas (União), a reunião teve foco na baixa cobertura entre o público não vacinado de 15 a 19 anos. Até dezembro, o Ministério da Saúde, em parceria com secretarias estaduais e municipais, busca realizar um resgate daqueles que passaram da faixa etária ideal de imunização - de 9 a 14 anos - sem receber a vacina.
"A gente vê o índice de vacinação muito baixo. A nossa intenção é reunir municípios e o estado para entender qual o motivo disso. Queremos ajudar, porque uma mãe deixar de imunizar seu filho adolescente com uma vacina que previne vários tipos de câncer é muito ruim", afirmou a deputada.
Acontecendo desde o início do ano, essa campanha de resgate dos não vacinados contra o HPV até os 19 anos só conseguiu imunizar 2,7% do público-alvo. A princípio, o Ministério da Saúde buscava alcançar 7 milhões de jovens ao redor do país que não tomaram nenhuma dose do imunizante, mas, até o momento, só vacinou 186 mil pessoas.
Representando o Departamento do Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde, Ana Goretti Maranhão lamentou o baixo número alcançado. "A grande barreira é que adolescente, principalmente mais velho, não procura unidade de saúde. Ele se acha invencível, que não vai adoecer e não procura a unidade de saúde para uma tomar injeção", disse ela.
"Estamos proporcionando para esses adolescentes um futuro livre de várias doenças, que não morram de diversos tipos de câncer e que não tenham verrugas genitais, que é uma doença que não mata, mas é muito estigmatizante e de difícil tratamento", completou Ana Goretti.
Propostas
Durante a cerimônia, muitas ideias foram levantadas para que esse número de vacinados aumente. Entre elas estão a obrigatoriedade da apresentação da carteira de vacinação em escolas públicas ou privadas, a criação de um Dia D da vacina do HPV e unidades móveis de imunização.
Em resumo, dois pilares devem nortear as políticas públicas no tema: melhoria na comunicação e levar a vacinação até o jovem. "Vamos informar as famílias e os profissionais de saúde. Os médicos têm que orientar, porque, quando ele indica, a família vacina os adolescentes", disse Ana Goretti. "Temos também que trabalhar com esses jovens extramuro, ou seja, levar a vacinação a escolas, universidades, shoppings, onde eles estiverem", completou a representante do Ministério da Saúde.
Acima da média
Apesar da dificuldade em resgatar os não vacinados, a vacinação contra o HPV no Brasil do principal público-alvo do imunizante é considerada boa. Hoje, 83% das garotas de 9 a 14 anos estão vacinadas, o que representa mais do que o dobro da média mundial - 37%. Oito estados brasileiros têm uma cobertura superior a 90%, que é o número chave buscado pelas autoridades da Saúde brasileira para que seja possível eliminar o câncer de colo do útero.
"Hoje, os avanços que o Brasil apresenta em relação à vacina HPV são incontestáveis. Claro que a gente ainda tem muitos desafios. Por exemplo, precisamos ter altas coberturas em todos os municípios e estados", apontou Ana Goretti
Ela também mostrou preocupação em relação à vacinação de meninos, que ainda está em um patamar abaixo do esperado, com cerca de 67% de cobertura. "Começamos a vacinar os meninos depois, além de que existe um desconhecimento muito maior sobre os problemas causados pelo vírus HPV nos homens, como o câncer anal, o de orofaringe e de pênis", explicou.
O HPV
O papilomavírus humano, ou HPV, é um vírus que afeta a pele e as mucosas, e é a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo, afetando homens e mulheres. Existem mais de 200 tipos do vírus, alguns dos quais podem causar verrugas genitais, enquanto outros estão associados a tumores malignos, como o câncer do colo do útero - o mais conhecido - de ânus, pênis, vulva, vagina, boca e garganta.
O câncer de colo de útero é o terceiro mais frequente e mata cerca de 7 mil mulheres por ano no Brasil. Incluída em 2014 no calendário vacinal brasileiro para meninas de 9 a 13 anos, a vacina contra o HPV é capaz de reduzir consideravelmente os casos de câncer e de lesões pré-cancerosas graves.
"A vacina previne e chega quase a abolir o câncer de colo do útero e outros cânceres. Ela é altamente eficaz. Por isso existe essa campanha em nível nacional para que seja feita a vacinação. O HPV é considerado como uma doença de transmissão sexual e tem como ser combatido", explicou o representante da Secretaria de Estado da Saúde e professor da Faculdade de Medicina da USP, Edmund Baracat.
Quem pode se vacinar
Atualmente, a vacinação contra o HPV está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para jovens, meninos e meninas, de 9 a 14 anos. Até dezembro deste ano, adolescentes de 15 a 19 anos que não foram vacinados também poderão receber a imunização nas unidades de saúde.
Pessoas imunocomprometidas, como pacientes com HIV/Aids, ou em tratamento de câncer, transplantados e vítimas de violência sexual também podem receber a vacina gratuitamente.
Assista à audiência, na íntegra, na transmissão da Rede Alesp:
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