Cemitério dos Aflitos levanta debate sobre apagamento de negros na história de São Paulo

Documentário exibido na Alesp conta história do primeiro cemitério público da Capital, redescoberto em 2018; iniciativa é do deputado Reis
19/11/2025 16:40 | Resistência negra | Louisa Harryman - Fotos: Gabriel Eid

Compartilhar:

Documentário sobre Cemitério dos Aflitos na Alesp<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-11-2025/fg357087.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Reis: conhecer o passado de São Paulo<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-11-2025/fg357088.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Tony Prada: apagamento da história africana<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-11-2025/fg357089.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Igor Carollo: tomar posse do espaço<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-11-2025/fg357090.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

O Cemitério dos Aflitos, primeiro cemitério público da Capital paulista, foi redescoberto em 2018, após o achado de conjuntos de ossadas onde hoje é o bairro da Liberdade. De acordo com documentos da época, a necrópole era destino de negros escravizados, indigentes, pobres e condenados à forca.

É essa história que conta o documentário "Cemitério dos Aflitos: Presença Negra Revelada", exibido na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo nesta terça-feira (18) por iniciativa do deputado Reis (PT).

O parlamentar explicou que esta obra é fundamental para que mais pessoas conheçam o passado de São Paulo e de seu povo. "Essa atividade vai mostrar um território negro em São Paulo. A região da Praça da Liberdade, que antes foi Praça da Forca e foi onde teve o Pelourinho. É muito importante trazer essa discussão para a Assembleia e deixá-la registrada", disse Reis. "Esse evento ainda tem o simbolismo de acontecer dentro do Mês da Consciência Negra", completou.

Tony Prada, que dirigiu o documentário junto com Jean Lopes, explicou que "o Brasil viveu um processo político de tentativa de apagamento da história africana, seus descendentes e dos escravizados do Brasil". O objetivo do seu trabalho é resgatar este passado e refletir a importância da presença da população negra e indígena em São Paulo.

Redescoberta da história

Segundo registros resgatados por historiadores, o Cemitério dos Aflitos começou a ser construído em 1774 e, até 1858, foi destino de pessoas à margem da sociedade, como escravizados e indigentes. No entanto, por mais de um século, este espaço foi esquecido pela sociedade.

Em 2018, uma obra para construção de um prédio particular na Rua Galvão Bueno, atrás da Capela de Nossa Senhora dos Aflitos, revelou as primeiras ossadas. Após os achados, a área se tornou um sítio arqueológico, e desde então, entre 11 e 15 indivíduos foram encontrados nas unidades de escavação.

Atualmente, a Capela está em processo de restauração, e a busca por mais ossadas continua. "Quando a Igreja estiver restaurada e entregue, a sociedade tem que tomar posse deste espaço e fortalecer cada vez mais a história negra e indígena em São Paulo, para que essa memória não seja apagada novamente" destacou o arquiteto responsável pelo projeto, Igor Carollo.

As ossadas serão estudadas no laboratório de antropologia da USP e, então, retornarão para a Capela para serem sepultados corretamente. A equipe que trabalha nas escavações e na restauração compartilha o avanço das obras e os processos arqueológicos pelas redes sociais.

Assista ao evento, na integra, em transmissão da Rede Alesp:

Confira a galeria de imagens

alesp