Parceiro histórico da Saúde pública de SP, Instituto Butantan celebra 125 anos de história
20/02/2026 17:15 | Ciência | Ana Tereza Lehmann - Fotos: Acervo Instituto Butantan/ Acervo pessoal Rafael Escudero
É muito difícil encontrar um cidadão paulista que não conheça ou nunca tenha ouvido falar sobre o Instituto Butantan. A instituição é reconhecida nacional e internacionalmente, seja pela produção dos famosos soros antiofídicos, usados no tratamento contra o veneno de serpentes peçonhentas, ou pelo desenvolvimento de vacinas aplicadas diariamente ao redor de todo o país. Fundado em 1901, o Butantan completa 125 anos nesta segunda-feira, 23 de fevereiro.
Hoje, o Instituto é o maior produtor de vacinas e soros da América Latina e o principal produtor de imunobiológicos do país. Ligado à Secretaria da Saúde do estado de São Paulo, o Butantan tem como missão pesquisar, desenvolver, fabricar e fornecer produtos e serviços para o sistema público de Saúde não só paulista, mas do Brasil. A maioria dos soros hiperimunes contra venenos de animais peçonhentos, toxinas bacterianas e o vírus da raiva em território brasileiro saem do Instituto, assim como 100% das vacinas contra o vírus Influenza usadas na Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe.
Fundação
O surgimento da instituição remonta ao fim do século 19, em um momento crítico do Estado e que demandou uma pronta resposta dos cientistas da época. Em 1899, São Paulo enfrentou um surto de peste bubônica, que teve início no Porto de Santos. Em resposta, a administração pública estadual criou um laboratório de produção de soro contra a peste, vinculado ao então Instituto Bacteriológico, hoje chamado de Instituto Adolfo Lutz.
Na época, o médico Emílio Ribas era diretor do serviço sanitário, o equivalente à Secretaria da Saúde nos dias atuais. O também médico e cientista Vital Brazil trabalhava no Instituto Bacteriológico e, junto com outro nome histórico da ciência brasileira, Adolfo Lutz, já trabalhavam em função do serviço sanitário.
Como conta a pesquisadora e diretora do Centro de Desenvolvimento Cultural do Instituto Butantan, Suzana Fernandes, ambos decidiram chamar o pesquisador Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, para, juntos, fazerem parte de uma investigação científica. "Era importante saber que doença era essa, quem era o vetor e como é que ela acometia as pessoas."
Ainda segundo Suzana, o Porto de Santos era importantíssimo para a chegada de imigrantes em um período de produção cafeeira. "Se tem um problema de saúde na área rural, inviabiliza tanto a saída do café quanto a chegada dos imigrantes."
O laboratório foi instalado na fazenda Butantan, na Zona Oeste da capital paulista, ainda vinculado ao Instituto Bacteriológico. Em 23 de Fevereiro de 1901, foi reconhecido como instituição autônoma sob a denominação de Instituto Serumtherápico. Seu primeiro diretor foi o mineiro Vital Brazil, que além de pesquisador na área da saúde, tinha o objetivo de divulgar e fortalecer a ciência através da atuação do Instituto, bem como produzir soros e vacinas.
Na história do Butantan, da saúde pública e, principalmente, do estado, esse surto tornou-se um importante marco, responsável por colocar São Paulo no cenário da saúde brasileira. Na época, haviam escolas de Medicina na Bahia e no Rio de Janeiro, mas não em São Paulo.
O episódio também deu o pontapé para uma busca pela autossuficiência na produção de soros e vacinas. A questão do ofidismo - quadro clínico decorrente da mordida de animais peçonhentos - não era a mais importante na área da saúde da época, mas recebeu atenção especial do novo Instituto. Para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, controlar esse tipo de quadro na área rural era essencial para não afetar a produção de café.

Década a década
O Instituto Butantan desenvolveu-se ano após ano e teve diversos capítulos marcantes em sua história. Na década de 1930, por exemplo, deu início a uma relação entre pesquisadores, alunos e Instituições de ensino. "Não é à toa que a Universidade de São Paulo (USP), está aqui do nosso lado", explica Suzana. De fato, a USP ocupa hoje uma área que antes fazia parte da Fazenda Butantan. Em troca, o Instituto recebeu a Fazenda São Joaquim, um terreno mais afastado, que existe até hoje e é responsável por parte da produção de soros e vacinas.
Já nas décadas de 1960 e 1970, o Instituto estava desatualizado e tendo a qualidade de seus produtos questionada, quando recebeu um grande investimento por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Os recursos culminaram em uma atualização dos pesquisadores e no aumento de sua produção durante as décadas de 1990 e 2000.

Patrimônio arquitetônico e urbanístico
O patrimônio arquitetônico e urbanístico do Instituto Butantan revela as mudanças pelas quais passou a instituição nesses 125 anos e refletem sua consolidação como figura central da ciência paulista. Suzana Fernandes explica que os primeiros 40 anos do Instituto foram essenciais para a expansão de suas instalações.
"Temos um movimento muito grande para adaptar-se às antigas construções e, ao mesmo tempo, construir outras que, de fato, abrigassem e mostrassem o quanto o Butantan estava crescendo e era importante naquele momento", afirma a pesquisadora.
O edifício central da época, inaugurado em 1914 para abrigar a área administrativa, pesquisa e produção, é o Edifício Vital Brazil, onde hoje fica a biblioteca científica. "Nesse período, houve mudanças que transformaram uma casa de fazenda e uma cocheira em museus", conta Suzana.
Atualmente, o Instituto Butantan conta com mais de 20 edificações dentro de sua área, todas tombadas pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico ( Condephaat) em 1981. O Parque da Ciência, complexo cultural criado em 2019, abriga 12 desses prédios históricos, além de áreas verdes, como o Horto Oswaldo Cruz, e viveiros de animais, como o macacário, reptário e serpentário. Quatro desses prédios são os museus do Instituto, um dos carros-chefe da relação do Butantan com a população paulista.
Museu Histórico: Criado em 1981, ocupa o prédio que já foi o primeiro laboratório improvisado da instituição e o antigo edifício central da Fazenda Butantan. Tem como exposição principal a Serum, que apresenta a produção de soros e o trabalho desenvolvido por Vital Brazil.
Museu Biológico: Foi o primeiro museu do Instituto, criado em 1914 para expor parte da coleção zoológica originada das pesquisas com serpentes e outros animais peçonhentos. Popularmente chamado de museu das cobras, suas exposições já passaram por vários prédios, mas, desde 1966, estão localizadas no edifício histórico onde era a antiga cocheira de imunizações da Fazenda Butantan. Tem como foco a biodiversidade e o relacionamento entre animais, meio ambiente e o ser humano.
Museu de microbiologia (Professor Isaias Raw): Inaugurado em 2002, tem como objetivo enaltecer o compromisso com a saúde pública brasileira através da transmissão de conhecimentos científicos e tecnológicos realizados no Instituto, fazendo com que a curiosidade científica de seus visitantes seja estimulada.
Museu da vacina: Criado no meio da pandemia de Covid-19, em março de 2023, é o primeiro espaço na América Latina dedicado exclusivamente à história e à ciência da imunização. Tem como objetivo conscientizar sobre a importância da vacinação, apresentar o funcionamento do sistema imune e mostrar os bastidores da produção de vacinas.
Faz parte ainda do patrimônio do Instituto o Museu de Saúde Pública Emílio Ribas, onde ficava o Desinfectório Central de São Paulo. Localizado no bairro do Bom Retiro, região central da Capital, foi incorporado ao Instituto em 2010. O museu guarda a documentação da saúde pública de todo o estado de São Paulo.
Segundo Suzana, esse museu é diferente dos demais porque é de onde saíam os carros para desinfectar grande parte da cidade, roupas, cortiços e espaços de trabalho durante o período de pestes e surtos na área da saúde. O espaço possui uma intensa ligação com a história da imigração na cidade e também foi fundamental para a criação do Butantan.
O Parque da Ciência faz parte do Centro de Desenvolvimento Cultural e representa um dos pilares da atuação do Instituto. "O objetivo é fazer a ponte entre o que é produzido na instituição e o público que frequenta o parque", diz Suzana. "É importante entendê-lo como um espaço viável e como uma área verde importantíssima para São Paulo e para entender a saúde paulista", complementa ela.
Além de escolas que visitam o Instituto e seus museus, nos finais de semana há atividades específicas voltadas para a família, que podem, além de passar pelos museus, fazer piqueniques, jogar bola, andar de bicicleta e passear com o animal de estimação. O objetivo, segundo Suzana, é nutrir a ideia de que o Butantan é um museu a céu aberto, onde todos são bem-vindos a entender a história e a importância da instituição como um legado a ser preservado.
Programação
O Parque da Ciência abre diariamente das 7h às 19h
Os museus abrem de terça feira à domingo, das 9h às 16h
Ingressos
O ingresso custa R$ 10,00 para adultos; crianças acima de 7 anos R$ 5,00
Estudante (Necessário apresentar comprovante): R$ 5,00
Crianças até 7 anos, estudante de escola pública e adultos acima de 60 anos: Isentos
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