Motoristas e passageiros se mobilizam contra fim de serviço de micro-ônibus em audiência na Alesp

Com auditório lotado, a principal reclamação da categoria é a falta de diálogo com a Artesp, enquanto passageiros reclamam das longas filas nos terminais e superlotação nos ônibus das linhas regulares; evento foi promovido pelo deputado Carlos Giannazi (Psol)
24/02/2026 16:24 | Fim da RTO | Fernanda Franco - Fotos: Gabriel Eid

Compartilhar:

Categoria se mobiliza contra o fim da RTO<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-02-2026/fg360960.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Auditório Franco Montoro lotado<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-02-2026/fg360961.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Deputado Carlos Giannazi <a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-02-2026/fg360962.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

Motoristas independentes de vans e micro-ônibus intermunicipais da RTO (Reserva Técnica Operacional) se reuniram, nesta segunda-feira (23), em audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo contra a demissão em massa que sofreram após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de encerrar o serviço em 1º de janeiro de 2026. O serviço prestado pela RTO contava com mais de 90 veículos e atendia cerca de 1 milhão de pessoas na Região Metropolitana da Capital.

Passageiros e associações também compareceram ao evento protestando contra a piora do transporte coletivo na grande São Paulo, com ônibus de linhas regulares superlotados e espera de 2 horas nas filas.

"Isso já está trazendo um prejuízo imenso para os trabalhadores e suas respectivas famílias, para a população que depende do transporte público, sobretudo na região periférica da grande São Paulo", destacou o deputado Carlos Giannazi (Psol), proponente do evento.

O parlamentar também criticou a atuação da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) por não defender a permanência da RTO. "O transporte à população deve estar acima de qualquer burocracia. Só que a Artesp está a serviço das grandes empresas e das concessionárias", disse.

Fim da RTO

A RTO foi um sistema de transportes criado em 1999 como solução emergencial para atender moradores das regiões de Guarulhos, Mogi das Cruzes, Carapicuíba, Cotia, Barueri, Itapevi, Jandira, Santana de Parnaíba e outras cidades da Região Metropolitana de São Paulo.

Com o fim da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU) em 2025, o serviço da RTO foi descontinuado e as atribuições da EMTU foram transferidas para a Artesp.

Por meio de vans e micro-ônibus, motoristas independentes atendiam a demanda de passageiros que o sistema regular de transportes não dava conta. Em 19 de dezembro de 2025, o STF decidiu que o modelo apresentava irregularidades jurídicas devido a ausência de processo licitatório para autorização dos operadores. A decisão culminou no encerramento definitivo da operação e o atendimento aos passageiros passou a ser realizado pelas empresas concessionárias regulares do sistema metropolitano.

Impactos

Estudante de ciências sociais da Unifesp, Lucas Marques Barreto contou que o fim da operação da RTO afeta não só a sua rotina como a continuidade de seus estudos. Ele mora em Mogi das Cruzes, trabalha no Ibirapuera e estuda em Guarulhos. Ao todo, leva cerca de 7 horas dentro do transporte público.

"Sinceramente, eu não vou conseguir continuar trabalhando e nem estudando se o transporte continuar dessa forma. Corro o risco de deixar de fazer a faculdade assim como muitos outros estudantes", desabafou. De acordo com Barreto, metade dos estudantes da Unifesp que desistem do curso é por causa do transporte, especialmente aqueles com mobilidade reduzida ou deficiência.

O estudante contou que o transporte já era ruim, mas que deve piorar com a saída dos RTOs, veículos que garantiam que muitos estudantes chegassem à faculdade. "A Unifesp tem um problema histórico em relação ao transporte porque a gente precisa de ônibus que deixem os estudantes mais perto do campus, assim como a RTO fazia", contou.

Para Dartagan Nery D'Almeida, motorista de ônibus da RTO há 27 anos, a situação é devastadora. Ele contou que não justificaram aos motoristas o fim do serviço, apenas aos donos do veículo. "Desde 1º de janeiro, quando fui demitido, ainda não consegui arrumar serviço. O RTO era o que eu gostava de fazer e a minha principal fonte de renda em casa", disse. Tanto para Lucas como para Dartagan, o sentimento é de revolta e indignação.

Próximos passos

Para o deputado, a presença maciça de funcionários, passageiros e associações na audiência pública pressiona os poderes para que as demissões sejam revertidas. "Nós faremos encaminhamentos ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas, à Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa, exigindo providências imediatas", afirmou Giannazi.

Assista à audiência, na íntegra, na transmissão feita pela Rede Alesp:

alesp