Para eliminar câncer de colo do útero, é necessária cobertura vacinal alta e homogênea contra HPV

Diretora da Divisão de Imunização da Secretaria da Saúde de São Paulo enaltece eficácia e segurança da vacina, que há 12 anos integra Calendário Nacional de Vacinação
13/03/2026 17:02 | Saúde Pública | João Pedro Barreto - Fotos: Divulgação Governo de SP

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Vacina contra HPV está disponível para jovens de 9 a 19 anos<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-03-2026/fg361756.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Cobertura vacinal alta e homogênea contra o HPV pode eliminar câncer de colo do útero<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-03-2026/fg361755.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Imunizante está há 12 anos no Calendário Nacional<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-03-2026/fg361757.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Vacina é eficaz e segura<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-03-2026/fg361758.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Alesp estará iluminada de lilás<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-03-2026/fg361800.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

A ideia de ter uma cura para o câncer é algo que ronda o imaginário popular há muitas décadas. Esse é um desafio e tanto para a ciência, já que existem inúmeros tipos da doença, que reagem de diferentes maneiras aos tratamentos convencionais. Mas, há 20 anos, existe uma maneira não de curar, mas de barrar o desenvolvimento de um dos cânceres mais comuns entre as mulheres: o câncer de colo do útero.

Desenvolvida em 2006 na Austrália, a vacina contra o HPV (papilomavírus humano) é a melhor forma de prevenir contra a doença. O imunizante é capaz inclusive de eliminá-la caso a sociedade atinja uma cobertura vacinal alta - acima de 90% de vacinados - e homogênea em todo o território. Essa informação é da diretora da Divisão de Imunização da Secretaria da Saúde de São Paulo (SES), Maria Lígia Nerger.

"A vacina do HPV é extremamente eficaz e segura. A gente sempre busca vacinas que tenham essa eficácia e, por isso, ela já é amplamente utilizada no Programa Nacional de Imunizações", afirma Lígia. A vacina tem apenas efeitos colaterais leves, como dor no local da aplicação.

Desde 2014, o imunizante está no Calendário de vacinação dos brasileiros. O usado pelo Sistema Único de Saúde é quadrivalente, ou seja, protege contra quatro tipos de HPV. Apesar de existirem mais de 200 tipos, a vacina do SUS foi desenvolvida para prevenir contra as formas dos vírus mais capazes de desenvolver câncer e verrugas genitais.

Além do Brasil, a vacina contra o HPV integra programas de imunização de pelo menos outros 50 países. A Austrália, onde nasceu o imunizante, está a poucos passos de eliminar o câncer de colo do útero graças aos altos índices de vacinação. Segundo o Ministério da Saúde do país, em 2021, nenhuma mulher abaixo de 25 anos foi diagnosticada com a doença - feito inédito desde o início dos registros, em 1982.

"O grande objetivo do Ministério da Saúde brasileiro é a eliminação do câncer do colo do útero. Mas precisamos de altas e homogêneas coberturas vacinais", explica Maria Lígia Nerger.

Estratégias

Há 12 anos no Calendário Nacional, a vacina do HPV já mudou de público-alvo e até de esquema vacinal. No início, era indicada apenas para meninas, de 11 a 13 anos. A partir de 2017, passou a incluir os meninos e iniciou um processo de ampliação da faixa etária recomendada. Em 2022, também começou a vacinar imunodeprimidos e, em 2023, vítimas de violência sexual.

O número de doses foi outra mudança e hoje é aplicada em dose única. "Foi avaliada a eficácia com uma, duas ou três doses e verificou-se que a dose única já conferia imunidade e tem demonstrado uma melhor adesão à vacinação", aponta a diretora.

Ela explica que a faixa etária de 9 a 14 anos é a que melhor responde à vacina, por receber o imunizante antes de ter qualquer contato com o vírus. "É recomendado, inclusive, tomar o mais precocemente possível, aos 9 anos de idade", afirma Maria Lígia.

Para chegar a esse público tão jovem, a principal estratégia recomendada pela Secretaria da Saúde do estado e executada pelas pastas municipais é levar a imunização às escolas. Segundo a diretora, essa busca ativa tem demonstrado os melhores resultados.

Recentemente, a pasta divulgou que chegou à taxa de 86,76% das meninas de 9 a 14 anos vacinadas contra o HPV. Para os garotos, a cobertura passou de 47,35% em 2022 para 74,78% em 2025.

Desafios

Apesar dos avanços, a cobertura ainda não atingiu o patamar de 90%, recomendado pelo Ministério da Saúde e por agências internacionais. A diretora da Divisão de Imunização da SES apontou que a desinformação sobre vacinas tem sido um dos principais obstáculos para chegar a essa meta.

"Buscamos combater as notícias falsas e a hesitação vacinal com informações. Fazemos um trabalho junto aos pais, falando da importância da vacinação, para melhorar a adesão", conta Lígia.

Ela aponta que o principal mito envolvendo a vacina contra o HPV é de que o imunizante estimula o início precoce da vida sexual do jovem. Para desconstruir essa mentira, a diretora explica que a comunicação com pais e responsáveis busca tratar do HPV como um vírus, sem entrar na questão da atividade sexual.

Outro ponto de preocupação para as autoridades é a busca por jovens não vacinados de 15 a 19 anos. Desde 2025, o Ministério da Saúde ampliou a vacinação pelo SUS para essa parcela da população e tem contado com o apoio de secretarias estaduais, como a de São Paulo, para chegar a esses adolescentes. A campanha, que ia até o fim do ano passado, foi estendida até junho de 2026.

"São adolescentes que perderam a oportunidade de se vacinar, principalmente na época da pandemia. Apesar de São Paulo ter mantido as salas de vacina abertas, muitos tinham receio de ir à unidade por causa do Covid e houve uma diminuição da demanda pela vacina", explica Maria Lígia Nerger.

Ela admite que é uma dificuldade chegar até esse público. Boa parte já não está na escola e frequenta pouco unidades de saúde. "Se você está na faixa de 15 a 19 anos e não tomou ou tem dúvidas sobre a vacinação contra o HPV, busque uma unidade de saúde para verificar seu histórico vacinal. Se estiver sem a vacina, você receberá a dose em qualquer unidade."

O câncer de colo do útero

O mês de março é dedicado à prevenção e à conscientização sobre o câncer de colo do útero. A campanha do Março Lilás joga luz sobre a importância da vacina contra o HPV, causador de quase 100% dos casos, e da realização de exames periódicos, como o papanicolau, para detecção precoce da doença e de lesões precursoras. Avançar na detecção da doença, com testes de alta precisão para mulheres de 35 a 45 anos, e no tratamento de lesões são outros dois aspectos fundamentais na busca pela erradicação do câncer.

O câncer de colo do útero é o terceiro mais frequente e mata mais de 7 mil mulheres por ano no Brasil. Segundo o Inca, entre os anos de 2023 e 2025, o país registrou mais de 17 mil casos por ano. Neste mês, a Alesp estará iluminada de lilás para reforçar a campanha.

O HPV

O papilomavírus humano, ou HPV, é um vírus que afeta a pele e as mucosas, e é a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo, afetando homens e mulheres. Além de causar verrugas genitais e o próprio câncer de colo do útero, o HPV está associado a cânceres de ânus, pênis, vulva, vagina, boca e garganta.

Em 2026, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ampliou a indicação da vacina nonavalente contra o HPV para a prevenção contra cânceres de cabeça e pescoço.


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