Para eliminar câncer de colo do útero, é necessária cobertura vacinal alta e homogênea contra HPV
13/03/2026 17:02 | Saúde Pública | João Pedro Barreto - Fotos: Divulgação Governo de SP
A ideia de ter uma cura para o câncer é algo que ronda o imaginário popular há muitas décadas. Esse é um desafio e tanto para a ciência, já que existem inúmeros tipos da doença, que reagem de diferentes maneiras aos tratamentos convencionais. Mas, há 20 anos, existe uma maneira não de curar, mas de barrar o desenvolvimento de um dos cânceres mais comuns entre as mulheres: o câncer de colo do útero.
Desenvolvida em 2006 na Austrália, a vacina contra o HPV (papilomavírus humano) é a melhor forma de prevenir contra a doença. O imunizante é capaz inclusive de eliminá-la caso a sociedade atinja uma cobertura vacinal alta - acima de 90% de vacinados - e homogênea em todo o território. Essa informação é da diretora da Divisão de Imunização da Secretaria da Saúde de São Paulo (SES), Maria Lígia Nerger.
"A vacina do HPV é extremamente eficaz e segura. A gente sempre busca vacinas que tenham essa eficácia e, por isso, ela já é amplamente utilizada no Programa Nacional de Imunizações", afirma Lígia. A vacina tem apenas efeitos colaterais leves, como dor no local da aplicação.
Desde 2014, o imunizante está no Calendário de vacinação dos brasileiros. O usado pelo Sistema Único de Saúde é quadrivalente, ou seja, protege contra quatro tipos de HPV. Apesar de existirem mais de 200 tipos, a vacina do SUS foi desenvolvida para prevenir contra as formas dos vírus mais capazes de desenvolver câncer e verrugas genitais.
Além do Brasil, a vacina contra o HPV integra programas de imunização de pelo menos outros 50 países. A Austrália, onde nasceu o imunizante, está a poucos passos de eliminar o câncer de colo do útero graças aos altos índices de vacinação. Segundo o Ministério da Saúde do país, em 2021, nenhuma mulher abaixo de 25 anos foi diagnosticada com a doença - feito inédito desde o início dos registros, em 1982.
"O grande objetivo do Ministério da Saúde brasileiro é a eliminação do câncer do colo do útero. Mas precisamos de altas e homogêneas coberturas vacinais", explica Maria Lígia Nerger.
Estratégias
Há 12 anos no Calendário Nacional, a vacina do HPV já mudou de público-alvo e até de esquema vacinal. No início, era indicada apenas para meninas, de 11 a 13 anos. A partir de 2017, passou a incluir os meninos e iniciou um processo de ampliação da faixa etária recomendada. Em 2022, também começou a vacinar imunodeprimidos e, em 2023, vítimas de violência sexual.

O número de doses foi outra mudança e hoje é aplicada em dose única. "Foi avaliada a eficácia com uma, duas ou três doses e verificou-se que a dose única já conferia imunidade e tem demonstrado uma melhor adesão à vacinação", aponta a diretora.
Ela explica que a faixa etária de 9 a 14 anos é a que melhor responde à vacina, por receber o imunizante antes de ter qualquer contato com o vírus. "É recomendado, inclusive, tomar o mais precocemente possível, aos 9 anos de idade", afirma Maria Lígia.
Para chegar a esse público tão jovem, a principal estratégia recomendada pela Secretaria da Saúde do estado e executada pelas pastas municipais é levar a imunização às escolas. Segundo a diretora, essa busca ativa tem demonstrado os melhores resultados.
Recentemente, a pasta divulgou que chegou à taxa de 86,76% das meninas de 9 a 14 anos vacinadas contra o HPV. Para os garotos, a cobertura passou de 47,35% em 2022 para 74,78% em 2025.
Desafios
Apesar dos avanços, a cobertura ainda não atingiu o patamar de 90%, recomendado pelo Ministério da Saúde e por agências internacionais. A diretora da Divisão de Imunização da SES apontou que a desinformação sobre vacinas tem sido um dos principais obstáculos para chegar a essa meta.
"Buscamos combater as notícias falsas e a hesitação vacinal com informações. Fazemos um trabalho junto aos pais, falando da importância da vacinação, para melhorar a adesão", conta Lígia.
Ela aponta que o principal mito envolvendo a vacina contra o HPV é de que o imunizante estimula o início precoce da vida sexual do jovem. Para desconstruir essa mentira, a diretora explica que a comunicação com pais e responsáveis busca tratar do HPV como um vírus, sem entrar na questão da atividade sexual.
Outro ponto de preocupação para as autoridades é a busca por jovens não vacinados de 15 a 19 anos. Desde 2025, o Ministério da Saúde ampliou a vacinação pelo SUS para essa parcela da população e tem contado com o apoio de secretarias estaduais, como a de São Paulo, para chegar a esses adolescentes. A campanha, que ia até o fim do ano passado, foi estendida até junho de 2026.
"São adolescentes que perderam a oportunidade de se vacinar, principalmente na época da pandemia. Apesar de São Paulo ter mantido as salas de vacina abertas, muitos tinham receio de ir à unidade por causa do Covid e houve uma diminuição da demanda pela vacina", explica Maria Lígia Nerger.
Ela admite que é uma dificuldade chegar até esse público. Boa parte já não está na escola e frequenta pouco unidades de saúde. "Se você está na faixa de 15 a 19 anos e não tomou ou tem dúvidas sobre a vacinação contra o HPV, busque uma unidade de saúde para verificar seu histórico vacinal. Se estiver sem a vacina, você receberá a dose em qualquer unidade."

O câncer de colo do útero
O mês de março é dedicado à prevenção e à conscientização sobre o câncer de colo do útero. A campanha do Março Lilás joga luz sobre a importância da vacina contra o HPV, causador de quase 100% dos casos, e da realização de exames periódicos, como o papanicolau, para detecção precoce da doença e de lesões precursoras. Avançar na detecção da doença, com testes de alta precisão para mulheres de 35 a 45 anos, e no tratamento de lesões são outros dois aspectos fundamentais na busca pela erradicação do câncer.
O câncer de colo do útero é o terceiro mais frequente e mata mais de 7 mil mulheres por ano no Brasil. Segundo o Inca, entre os anos de 2023 e 2025, o país registrou mais de 17 mil casos por ano. Neste mês, a Alesp estará iluminada de lilás para reforçar a campanha.
O HPV
O papilomavírus humano, ou HPV, é um vírus que afeta a pele e as mucosas, e é a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo, afetando homens e mulheres. Além de causar verrugas genitais e o próprio câncer de colo do útero, o HPV está associado a cânceres de ânus, pênis, vulva, vagina, boca e garganta.
Em 2026, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ampliou a indicação da vacina nonavalente contra o HPV para a prevenção contra cânceres de cabeça e pescoço.
Notícias relacionadas
- Mais bem-estar e menos dor: cuidados paliativos são fundamentais desde o diagnóstico de uma doença
- Evento na Alesp promove conscientização para doação de órgãos
- Debate da Alesp incentiva prevenção e analisa avanços e desafios no combate à Aids no estado
- Segunda aula de curso do ILP e da Secretaria da Saúde destaca ações para conter o tabagismo
- Parlamentares participam do anúncio de modelo de gestão de hospitais públicos pelo setor privado
- De olho na juventude, Alesp debate uso de cigarros eletrônicos e saúde mental dos adolescentes
- Santas Casas e hospitais filantrópicos: quatro séculos de cuidado e formação em SP
- Frente defende pesquisa e regulamentação da cannabis medicinal e do cânhamo industrial
Notícias mais lidas
- Plenário da Alesp aprova novas regras para promoção de policiais civis
- Projetos de reajuste e reestruturação das carreiras policiais é tema da 28ª Sessão Ordinária
- Dezembro Vermelho: pesquisas de cura do HIV avançam em universidade pública paulista
- Deputado pede a Estado proteção a perito que relatou pressão na investigação do caso Vitória
- Projetos de lei voltados às Polícias Civil e Militar pautam 30ª Sessão Ordinária
- Em Sessão da Alesp, parlamentares defendem aumento maior para polícias
- Alesp aprova e motos de até 180 cilindradas não pagam mais IPVA em SP
- Deputado comemora a obrigatoriedade da execução do Hino Nacional nas escolas do Estado de São Paulo
- Servidores cobram aplicação imediata do 'Descongela Já'
Lista de Deputados
Mesa Diretora
Líderes
Relação de Presidentes
Parlamentares desde 1947
Frentes Parlamentares
Prestação de Contas
Presença em Plenário
Código de Ética
Corregedoria Parlamentar
Perda de Mandato
Veículos do Gabinete
O Trabalho do Deputado
Pesquisa de Proposições
Sobre o Processo Legislativo
Regimento Interno
Questões de Ordem
Processos
Sessões Plenárias
Votações no Plenário
Ordem do Dia
Pauta
Consolidação de Leis
Notificação de Tramitação
Comissões Permanentes
CPIs
Relatórios Anuais
Pesquisa nas Atas das Comissões
O que é uma Comissão
Prêmio Beth Lobo
Prêmio Inezita Barroso
Prêmio Santo Dias
Legislação Estadual
Orçamento
Atos e Decisões
Constituições
Regimento Interno
Coletâneas de Leis
Constituinte Estadual 1988-89
Legislação Eleitoral
Notificação de Alterações