Especialistas em saúde debatem medidas e políticas públicas para combater e tratar disfagia

Projeto de Lei 1366/2025, que institui março como o "Mês de Conscientização da Disfagia no Estado de São Paulo, foi apresentado durante o evento
17/03/2026 15:36 | Discussão | Daiana Rodrigues - Fotos: Patrícia Domingos

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Especialistas debatem sobre disfagia na Alesp<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-03-2026/fg361900.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Deputada Márcia Lia<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-03-2026/fg361901.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Juliana Venites<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-03-2026/fg361902.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo recebeu, nesta terça-feira (17), um evento que reuniu especialistas em Saúde para debater a importância de medidas interdisciplinares e políticas públicas de combate e tratamento da disfagia - condição que causa a alteração no trajeto do alimento da boca até o estômago, gerando dificuldade para comer e engolir alimentos, líquidos e até a própria saliva.

O encontro também destacou que o Dia Nacional de Atenção à Disfagia é lembrado em 20 de março. Além disso, foi apresentado o Projeto de Lei 1366/2025, que institui março como o "Mês de Conscientização da Disfagia no Estado de São Paulo", dedicado à promoção de ações educativas, preventivas e de diagnóstico precoce dos distúrbios da deglutição. A proposta é da deputada Márcia Lia (PT) e segue em tramitação na Casa.

Durante a campanha, poderão ser realizadas palestras e atividades voltadas à informação e orientação da população sobre causas, fatores de risco, sintomas e importância do diagnóstico precoce por meio da distribuição de materiais informativos, campanhas de mídia e realização de mutirões de triagem e orientação em unidades de saúde.

Segundo Juliana Venites, presidente da Academia Brasileira de Disfagia, para milhões de pessoas, o ato de engolir pode se tornar um desafio trazendo consequências sérias para a saúde e muitas delas podem conviver com a doença sem diagnóstico e orientação adequada. Entre as quais estão desnutrição, desidratação e complicações respiratórias importantes, como pneumonias por aspiração.

"Quando falar, comer e beber tornam-se difíceis, percebemos o quanto gestos cotidianos e naturais são pilares da nossa dignidade e qualidade de vida. Quase sempre tem uma família aprendendo a cuidar, adaptar rotinas e enfrentar desafios diários. É uma mudança para todos", complementa.

Além disso, a doença impacta a vida social e emocional dos pacientes, pois muitos deles passam a ter medo de comer, evitam refeições em família e momentos de convivência e compartilhamento de momentos à mesa.

É uma condição relativamente comum, especialmente em pessoas idosas, pacientes com doenças neurológicas, como AVC, Parkinson ou Alzheimer, e em indivíduos hospitalizados por longos períodos. A disfagia não é apenas um desconforto: ela pode levar à desnutrição, desidratação e, principalmente, à aspiração de alimentos ou líquidos para as vias respiratórias, o que aumenta o risco de pneumonias graves.

"Instituir o Mês de Conscientização da Disfagia é importante, porque a população tem pouco acesso à informação sobre o que realmente significa a condição. Então, precisamos dar a visibilidade para essa anomalia", disse a solicitante do evento, Márcia Lia.

Espessantes alimentares

Durante o encontro, a deputada ainda destacou o Projeto de Lei 182/2026 que estabelece o fornecimento gratuito de espessantes alimentares aos pacientes paulistas com disfagia. O produto é destinado a modificar a consistência de líquidos e preparações alimentares, conforme prescrição profissional, visando à segurança alimentar do paciente com disfagia.

Os espessantes alimentares possuem custo elevado e, na maioria das vezes, precisam ser utilizados de forma contínua, o que inviabiliza o acesso regular por parte de muitas famílias, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

Nesse contexto, a disponibilização de espessantes pela Secretaria Estadual de Saúde contribuirá para a prevenção de complicações clínicas, redução de internações e melhoria da qualidade de vida dos pacientes, além de representar uma medida de racionalização dos gastos públicos em saúde, ao evitar desfechos mais graves e onerosos ao sistema.

Convidados

Estiveram presentes Ana Paula Lefevre, representante do Conselho Federal do Conselho de Fonoaudiologia (CFFa); Marilene Umeoka, presidente do Conselho Regional de Fonoaudiologia de São Paulo (Crefono 2); Maria Madalena Januário Leite, representante do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) e Maria Lúcia Garcia, representante do Conselho Regional de Nutrição de São Paulo (CRN-3).

O evento ainda contou com a presença de Rosmary Arias, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia sessão São Paulo (SBGG-SP); Luciana Fernandes Costa, representante da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia (Aborl); José Henrique Quirino, representante da Sociedade Paulista de Medicina Intensiva (Sopati); Camila Etges, presidente do Departamento de Disfagia da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa); José Guilherme Vartanian, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) e Pedro Medeiros, presidente da Academia Estadual de Cuidados Paliativos do Estado de São Paulo (AECP-SP).

Confira o evento pela Rede Alesp:

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