Abril Azul na Alesp: evento discute inclusão de alunos autistas nas escolas

Reunião da Frente Parlamentar em Defesa da Inclusão Escolar reuniu profissionais e famílias atípicas para debater participação de alunos TEA nas escolas regulares e papel das instituições especializadas
14/04/2026 17:54 | Acessibilidade | Louisa Harryman - Fotos: Bruna Sampaio

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 Frente Parlamentar em Defesa da Inclusão Escolar<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-04-2026/fg363239.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Deputada Andréa Werner coordenadora da Frente<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-04-2026/fg363240.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Luciana Xavier: interligação da educação e saúde<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-04-2026/fg363241.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Alexandre Melo: escolas especializadas<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-04-2026/fg363243.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>  Vanessa Ziotti: burnout de professores<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-04-2026/fg363244.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

Abril Azul é o mês dedicado à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista no mundo todo. Na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, o compromisso com a causa foi reforçado com mais uma reunião da Frente Parlamentar em Defesa da Inclusão Escolar, realizada nesta terça-feira (14).

O objetivo do encontro foi debater os desafios para alfabetização e interação social nas escolas para os alunos com autismo, suas famílias e professores. "Quando nós temos o cenário adaptado e a lei respeitada, a inclusão é possível. É por isso que eu luto, para que em todas as escolas nós tenhamos essa condição", justificou a deputada Andréa Werner (PSB), coordenadora da Frente.

Professores e despreparo

Um dos principais desafios apontados para inclusão de alunos com TEA é o despreparo das escolas, resultado da falta de investimentos. A deputada pontuou também como um dos problemas a barreira atitudinal - estigmas e comportamentos que prejudicam a participação social e alfabetização dos alunos com alguma deficiência.

Para que esse problema seja amenizado, uma das soluções discutidas pelos profissionais no evento foi a formação continuada dos professores. No entanto, eles ressaltaram que só isso não basta e que as escolas precisam ter pessoas capacitadas para analisar comportamentos, identificar e saber lidar com crises, além de ajudar esses alunos a se comunicar e interagir.

A presença de profissionais voltados para o acolhimento de autistas não é benéfico só para alunos e famílias, mas também para os professores. A especialista em Direitos da Pessoa com Deficiência, Vanessa Ziotti, destacou que a medida ajuda também com a crescente de casos de docentes que sofrem de exaustão física e mental (burnout).

A participação da inclusão escolar nos orçamentos dos governos estaduais e federal também foi uma solução abordada para que esses alunos tenham seus direitos garantidos.

Ciência e educação

Segundo os presentes, outro ponto importante é entender a interligação entre práticas educacionais e de saúde. "Enquanto continuarmos nos guiando por ideologias e deixar a ciência fora da educação especial, não vamos sair desse buraco", disse Andréa.

Para a neuropsicóloga Luciana Xavier, é preciso compartilhar a responsabilidade da educação inclusiva para sair da teoria e ver as mudanças na prática. "Precisa ter psicólogos e equipes interdisciplinares para capacitar professores, além terapeutas ocupacionais dentro das escolas", completou.

Escolas especializadas

As escolas especializadas são instituições com suportes específicos para alunos com deficiência intelectual ou autismo, inclusive docentes com formação adequada. Luciana explicou que elas são fundamentais para que esses jovens coloquem os conhecimentos que adquirem em prática.

"A escola especial é necessária para a criança que precisa aprender atividades da vida diária, para ter o mínimo de autonomia e dignidade", destacou. Ela citou como exemplos ir ao banheiro sozinho ou abrir uma porta, ações simples que podem exigir esforços para pessoas autistas.

O professor e coordenador pedagógico Alexandre Melo explicou que era comum o estigma de que as escolas especiais são espaços de segregação e baixa expectativa, mas que essa visão mudou e hoje são vistas como espaço de novas possibilidades. Ele também ressaltou que essas instituições devem ter currículos específicos, adequados ao que faz sentido para cada aluno.

"Quando conseguirmos construir essa rede onde as escolas comuns são fortalecidas, as equipes são capacitadas e as decisões técnicas são bem fundamentadas nos serviços especializados de qualidade, vamos conseguir de fato começar a entender e oferecer inclusão", destacou Alexandre.

Assista à reunião, na íntegra, em transmissão da TV Alesp:

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