Prevenção de drogas está ligada à adoção de políticas públicas, apontam especialistas


27/05/2019 16:26 | ILP | July Stanzioni - Fotos: Carol Jacob

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Zila Sanchez<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-05-2019/fg234759.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Rafa Zimbaldi e Vinicius Schurgelies<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-05-2019/fg234760.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Zila Sanchez<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-05-2019/fg234761.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Público presente<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-05-2019/fg234762.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

Continuando o ciclo de palestras promovido pelo Instituto do Legislativo Paulista (ILP), na Assembleia Legislativa, aconteceu nesta segunda-feira, (27/5), no auditório Franco Montoro, o debate "Álcool e drogas - prevenção e terapias para adolescência - impactos sociais e saúde púbica".

O evento foi realizado em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e teve como objetivo divulgar formas de prevenção e terapias para adolescentes.

A professora Zilá Sanchez, do departamento de Medicina Preventiva da Unifesp, pesquisa especialmente quais fatores associados ao abuso de álcool e outras drogas podem impactar nos adolescentes e jovens adultos.

"Hoje a grande questão é o que podemos fazer com o adolescente para impedir ou retardar o primeiro uso de droga. Muitos pais se preocupam com o uso de drogas ilícitas e o jovem já se embriaga todos os finais de semana, muitas vezes sob seus olhos e com o seu consentimento", disse.

Segundo a professora, alguns eixos são essenciais para que o tema evolua. "O primeiro, os programas de prevenção levados para a escola e a família. Esses programas vão trabalhar as habilidades parentais para que o jovem saiba se comportar em sociedade. Em segundo, trabalhamos com políticas públicas, que é o controle de vendas de álcool para menores de idade: pontos de venda, horário de venda, proibição do estilo "open bar" ou promoções de venda de álcool a preço irrisório. Tudo isso aumenta o consumo", acrescentou.

Políticas públicas

Para Zilá, a questão mais difícil é como a sociedade encara a droga e o álcool. "A gente vê que os próprios pais hoje são os principais fatores de risco de iniciação precoce de uso de álcool adolescente, porque muitas vezes acreditam, de maneira equivocada, que dar o álcool para o adolescente em casa é uma forma de protegê-lo, quando na verdade a evidência científica mostra o oposto: quanto mais cedo se oferece álcool em casa, maior a chance de o adolescente abusar do uso com seus amigos e se tornar um dependente na vida adulta".

Estudo realizado por um grupo da faculdade de medicina da USP revelou a correlação entre o consumo de álcool e drogas com a ocorrência de morte violenta. "Hoje em dia no Brasil e no Estado de São Paulo, a principal causa de morte entre os jovens é externa: os acidentes de trânsito, as agressões e os homicídios. A droga entra como fator causal entre os jovens e por isso a importância de você tratar o uso na adolescência", disse Gabriel Andreuccetti, pesquisador do departamento de medicina preventiva da faculdade de Medicina da USP.

Segundo ele, as políticas públicas sobre o tema são essenciais para tentar frear essa questão. "A sociedade tem um papel importante: da educação na família, mas acredito que as políticas públicas demonstram uma efetividade maior no nível populacional. Isso foi demonstrado em diversos outros países e eles conseguiram diminuir. A Europa reduziu pela metade o número de acidentes no trânsito nos últimos 20 anos, nos EUA, similar. Como eles fizeram isso? Com as políticas públicas que foram moldando a sociedade para essas questões", finalizou.

O trabalho apontou que o consumo de álcool ou de pelo menos um tipo de droga está diretamente ligado às mortes violentas na capital paulista entre 2014 e 2015.