Audiência pública na Alesp pede mais transparência e agilidade no Sistema Cross

Reunião promovida pelo deputado Emidio de Souza (PT) reuniu representantes da sociedade civil que reclamam da gestão do sistema
27/11/2025 14:04 | Saúde pública | Da Redação - Fotos: Bruna Sampaio

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Audiência pede transparência e agilidade no Cross<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-11-2025/fg357559.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Emidio de Souza (PT): a fila não pode ser burra<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-11-2025/fg357560.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Ana Perugini (PT): ninguém sabe quando será chamado<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-11-2025/fg357561.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Maria do Carmo: Cross é sistema de vida ou morte<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-11-2025/fg357562.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

O Sistema Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) foi tema de mais um debate na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Uma audiência pública realizada na manhã desta quinta-feira (27) pelo deputado Emidio de Souza (PT) reuniu representantes da sociedade civil para pedir mais transparência e agilidade no sistema.

Criado pela Secretaria da Saúde, o Sistema Cross é responsável por auxiliar na distribuição e controle dos recursos disponíveis da saúde estadual. Em suma, é por ele que os exames, consultas com especialistas e cirurgias são agendadas, levando em conta a disponibilidade do serviço em cada região do estado.

"O espírito do Cross está correto, que é organizar uma fila, evitando que ela seja furada por conveniências de outra natureza. Mas a verdade é que o Cross demora demais no atendimento. As pessoas estão demorando para ser atendidas e, em alguns casos, isso significa a divisão entre a vida e a morte", afirmou Emidio de Souza.

"Precisa ter transparência dentro do processo para saber como anda a fila e o que é feito com aqueles casos que a pessoa não pode aguardar na fila do Cross. Essa fila não pode ser burra. Ela tem que considerar, de alguma forma, a gravidade dos pacientes. Tem que ter algum nível de priorização a partir de uma avaliação técnica dos casos", completou o parlamentar.

Coordenadora da Frente Parlamentar do Sistema Cross da Alesp, a deputada Ana Perugini (PT) participou da audiência e definiu a questão das filas como um "problema grave". "Não se sabe a ordem dessa fila, em que momento e por que você é colocado para trás. Quando entramos no Cross, não sabemos o que vai acontecer conosco. Ninguém sabe quando vai ser chamado. O Cross não pode continuar existindo do jeito que está", defendeu a deputada.

Calvário

A cada ano que passa, a Saúde pública tem ganhado mais importância. O envelhecimento da população faz com que as unidades de atendimento sejam cada vez mais procuradas. Foi sob essa justificativa, inclusive, que a Assembleia aprovou, há exatamente um ano, a Proposta de Emenda à Constituição que permitiu que parte do Orçamento destinado para Educação pudesse ser remanejado para a Saúde.

Em 2024, segundo dados do IBGE, o estado de São Paulo atingiu a marca de 8,1 milhões de pessoas acima dos 60 anos, o que representa mais de 17,2% da população. Em 2012, esse percentual era de 11,3%. "O envelhecimento da população brasileira hoje é uma questão urgente, porque impacta a Saúde, o trabalho e todas as áreas da sociedade", apontou a socióloga e pesquisadora da economia do envelhecimento, Maria do Carmo Guido.

Como militante pelos direitos das pessoas idosas, Maria do Carmo definiu o Cross como um "calvário" para essa parcela da população. "Imaginem idosos que estão no preparo para uma colonoscopia, por exemplo, e têm que ir para outro município para fazer o exame. O Cross é um sistema de vida ou morte", disse ela.

Além de Maria do Carmo, fizeram falas com reclamações sobre o sistema representantes de diversas associações da sociedade civil que reúnem familiares e pacientes de doenças raras e crônicas.

Tecnologia

Representado o Ministério da Saúde na audiência, a diretora do Departamento de Regulação Assistencial e Controle, ligado à Secretaria Nacional de Atenção Especializada à Saúde, Luciana Lujan, comentou sobre a migração do sistema de regulação em nível federal e fez um apelo para a contribuição dos outros entes da federação.

"Considerando que o SUS é tripartite, convidamos a todos os estados e municípios a enviarem suas filas para que juntos consigamos vencer a questão da espera, dialogar melhor, estabelecer novas rotinas para acompanhamento das filas e dar maior eficiência do Sistema Único de Saúde", declarou.

Assista à audiência, na íntegra, na transmissão da Rede Alesp:

Confira a galeria de imagens da reunião

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