Frente parlamentar debate desafios de inclusão de alunos com transtornos de neurodesenvolvimento

Adaptação das escolas, diagnóstico precoce e políticas públicas eficazes são as maiores dificuldades na garantia de um ensino justo e igualitário; reunião foi promovida pela deputada Andréa Werner (PSB) e reuniu especialistas da área
25/03/2026 19:42 | Educação | Fernanda Franco - Fotos: Bruna Sampaio

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Reunião aconteceu no auditório Franco Montoro<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-03-2026/fg362374.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Andréa Werner: Podemos estar perdendo talentos<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-03-2026/fg362355.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Mariana Santos: Tratamento correto diminui evasão<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-03-2026/fg362371.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Monique: Formação continuada de professores<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-03-2026/fg362358.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Leticia Lefevre: É preciso dar ferramentas<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-03-2026/fg362379.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

"Podemos estar perdendo muitos talentos simplesmente porque adaptações simples não foram feitas nas escolas", disse a deputada Andréa Werner (PSB) em reunião da Frente Parlamentar em Defesa da Inclusão Escolar, nesta quarta-feira (25), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. O encontro reuniu especialistas, educadoras, familiares e representantes da sociedade civil.

O objetivo foi promover a escuta qualificada sobre os desafios e consequências do TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), da dislexia e do TOD (Transtorno Opositivo Desafiador) no ambiente educacional paulista. A partir dos relatos, a ideia é discutir caminhos que garantam o direito à educação inclusiva e aperfeiçoar políticas públicas.

Segundo as convidadas, as maiores barreiras no Brasil são a falta de adaptação das escolas, de diagnóstico precoce e de leis mais eficazes voltadas à inclusão de crianças e adolescentes nas escolas.

Diagnóstico

De acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), de 5% a 8% da população mundial possui TDAH. Estima-se que 70% das crianças com o transtorno apresentam outra comorbidade, e pelo menos 10% apresentam três ou mais comorbidades.

Diante desses dados, a médica psiquiatra do SUS Mariana de Lima Santos afirmou que o diagnóstico tardio ou errado traz prejuízos marcantes para a vida adulta e para a família. "Não são apenas problemas no aprendizado, mas, sobretudo, dificuldades emocionais, como a formação de identidade, autoestima e senso de pertencimento", disse. Além disso, quando o tratamento não é feito no tempo certo e da forma correta, pode contribuir para a taxa de abandono e evasão escolar.

"O pior inimigo de quem trabalha na saúde mental é o estigma", justificou a médica. Segundo ela, por ser um assunto que geralmente causa desconforto ou sofrimento, muitas pessoas não buscam tratamento.

Outra ferida muito grande na saúde mental é a desinformação. "As pessoas não têm a menor ideia do que são transtornos mentais e de como buscar ajuda. Por isso, acabam ficando desassistidas", lamentou Mariana.

A médica reforçou a necessidade de diagnóstico e tratamento assim que sintomas de TDAH, dislexia ou TOD sejam percebidos pelos pais. Mariana ainda apontou que condições socioeconômicas, momento histórico e racismo são determinantes sociais que afetam diretamente a saúde mental.

Sala de aula

Enquanto profissional da educação, Monique Gonçalves, professora e psicopedagoga da rede pública da cidade de São Paulo há 24 anos, comentou sobre ações que fazem diferença no chão da sala de aula.

"Quando a gente recebe um aluno neurodivergente, com transtorno de neurodesenvolvimento, esse aluno é muitas vezes reconhecido dentro da escola como indisciplinado, preguiçoso, desleixado, sendo muitas vezes deixado de lado", disse. Sem uma adaptação específica, a professora afirmou que a inclusão desses alunos é desafiadora tanto para a escola quanto para a família.

Para Monique, as principais dificuldades para promover a inclusão escolar de alunos com TDAH, TOD e dislexia são a ausência de diagnóstico precoce e a não formação continuada dos professores. "Muitos não têm ideia de como trabalhar com alunos com esse quadro. É preciso compreender a neurodivergência para saber agir na sala de aula e o diagnóstico ajuda a dar um melhor direcionamento", afirmou a psicopedagoga.

Direitos

Apesar do acesso ao ensino a toda e qualquer pessoa ser garantida constitucionalmente, a advogada especialista em direitos e inclusão da pessoa com deficiência, Leticia Lefevre, criticou que a lei estadual não permeia todas as doenças e transtornos do neurodesenvolvimento. "Não é falha técnica, é falta de articulação política", disse.

Para a especialista, a solução vem de políticas públicas de inclusão efetivas. "É preciso dar ferramentas para que nossas crianças e adolescentes se desenvolvam na integralidade, ao invés de vetar ou negligenciar projetos de lei que auxiliem o professor e o aluno", afirmou.

Assista à reunião, na íntegra, em transmissão da TV Alesp:

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