Mulheres Vivas: audiência pública na Alesp discute feminicídios e criminalização da misoginia
26/03/2026 17:39 | Segurança | Louisa Harryman - Fotos: Rodrigo Costa
Em meio ao contexto do aumento dos índices de feminicídio e violência de gênero, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo recebeu, nesta quinta-feira (25), a audiência pública "Mulheres Vivas". O evento foi iniciativa da deputada Paula da Bancada Feminista (Psol) e reuniu especialistas e familiares de vítimas para discutir políticas públicas voltadas à segurança das mulheres.
A parlamentar compartilhou a angústia e disse que tem sido insuportável ser mulher no Brasil nos últimos meses. "Não tem um único dia em que liguemos o noticiário e não tenha notícia de uma mulher que foi assassinada simplesmente por ser mulher, de que sofreu violência doméstica ou que foi estuprada", afirmou.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, 266 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado em 2025. Diante desse cenário, a deputada explicou o projeto de decreto legislativo que decreta estado de emergência por "epidemia de feminicídios". Paula explicou que a medida reconhece a gravidade da situação enfrentada pelas mulheres e garante mais verba para políticas públicas de defesa e segurança, além de ampliar a rede de acolhimento de vítimas. O PDL 43/2025, criado pela parlamentar e assinado por outras dez deputadas, ainda tramita na Alesp.
A fundadora do Levante Mulheres Vivas, Rachel Ripani, também defendeu que o combate ao feminicídio seja considerado emergência de estado. O movimento surgiu em dezembro do ano passado, com uma grande manifestação que levou dezenas de milhares de pessoas às ruas em mais de 100 municípios a favor da criminalização da misoginia.
Monetização
Para a pesquisadora do laboratório NetLab, da UFRJ, Luciane Belin, o ódio às mulheres é inflado digitalmente por plataformas que veiculam conteúdos misóginos. O núcleo realizou um estudo sobre canais que compartilham conteúdos misóginos no YouTube e são monetizados pela plataforma, ou seja, são remunerados financeiramente.
"Precisa ter uma regulamentação das plataformas para que elas também sejam consideradas responsáveis por esses conteúdos, uma vez que também estão ganhando dinheiro", disse Luciane. A deputada também defendeu a regulamentação das plataformas digitais.
Relato
O evento contou ainda com a participação de Simone da Silva, mãe da vítima de feminicídio Bruna Oliveira. A jovem estudante de 28 anos foi morta enquanto voltava para casa, na Zona Leste da Capital paulista, em abril do último ano.
Em um relato emocionante, Simone compartilhou que Bruna sempre lutou contra a desigualdade de gênero. "Quando sepultei minha filha, tive a impressão que sepultei uma parte de mim. Eu sinto que meu coração tá amputado e é uma dor na alma que eu não desejo para mãe nenhuma", completou.
Assista ao evento, na íntegra, na transmissão realizada pela TV Alesp:
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