Encontro Literário da Biblioteca da Alesp debate a ressignificação da maternidade através da escrita

Escritoras Carolina Poppi e Xenya Bucchioni falaram sobre seus livros em encontro online e discutiram o peso imposto às mulheres durante a maternidade
20/03/2026 18:34 | Cultura | Gabriel Eid

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A Divisão de Biblioteca e Acervo Histórico da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo promoveu, na tarde desta sexta-feira (20), o primeiro Encontro Literário de 2026. O evento foi realizado de forma online e reuniu as escritoras Carolina Poppi e Xenya Bucchioni. Elas falaram sobre os desafios da maternidade, tema que atravessa os livros "Contração e expansão" e "Histórias sobre ser mãe e mulher", de autoria das duas.

Carolina Poppi explicou que a escrita foi importante para ela desde a infância, mas que acabou se afastando da prática com a chegada da idade adulta. Ela contou que nunca pensou em trabalhar com a escrita poética e, quando virou mãe, há 12 anos, se reaproximou da literatura. "Era como se eu tivesse que colocar tudo o que eu estava passando para fora", afirmou.

Durante o encontro, Carolina defendeu que a escrita é uma forma de lidar com as dificuldades e os "aprisionamentos" que a maternidade impõe às mulheres na sociedade patriarcal. Segundo ela, muitas mães se deprimem pela sensação de que não podem mais ser livres depois da chegada dos filhos. "A escrita veio para mim em um sentido de: ou eu transformo e ressignifico isso ou eu estou perdida. E não via essa possibilidade de me perder, porque eu sempre gostei de viver", declarou.

Ancestralidade

Xenya Bucchioni se formou jornalista e também manteve uma relação com a escrita desde a infância. "Eu tenho diários de diferentes fases da minha vida", contou. Depois da graduação, desenvolveu trabalhos acadêmicos e aperfeiçoou suas técnicas, mas foi com a maternidade que a escrita passou a ocupar um espaço diferente em sua trajetória. "Descobri que estava grávida quando participava de uma oficina de escrita para mulheres", afirmou.

A partir da experiência da maternidade, passou a questionar a relação com a sua família e a forma como a memória era construída. "Me dei conta que a história da minha família tinha a figura dos homens como mais predominantes." Com isso, Xenya começou a desenvolver o trabalho de recontar as histórias da ancestralidade feminina em sua vida.

"Eu não sabia quase nada sobre elas [mulheres da sua família] além do número de filhos e de coisas muito básicas", afirmou. Assim, nasceu o "Querida Gestante", projeto multiplataforma que busca resgatar a história e memória feminina. Nele, Xenya reuniu mais de 140 cartas de apoio e acolhimento às gestantes nos anos mais duros da pandemia.

Violências

O crescente cenário de violência de gênero também foi tema do encontro desta sexta-feira. Carolina Poppi destacou que enxerga uma reação masculina às conquistas recentes das mulheres, que está desencadeando em um cenário de mais mortes e abusos. Carolina contou como lida com isso, sendo mulher e mãe de uma menina.

"Eu falo para ela: 'desculpa não poder te dar um mundo em que você possa ser tudo o que você puder. Eu, seu pai e a nossa família vamos tentar fazer com que você seja o que você quer ser. Mas fique atenta, porque infelizmente o mundo não é o melhor lugar para as mulheres viverem'", relatou.

O Encontro

O evento promovido pela Divisão de Biblioteca e Acervo Histórico tem o objetivo de aproximar o público de escritoras e escritores e promover o diálogo entre literatura e produção cultural. Ao longo de 2026, o Encontro Literário terá duas edições: uma em março e outra em agosto.

alesp