Museu da Língua Portuguesa celebra 20 anos unindo tecnologia, história e diversidade do idioma
20/03/2026 17:47 | Cultura | Daiana Rodrigues - Fotos: Ana Mello, Nilton Fukuda, Guilherme Sai e Ciete Silvério
Inaugurado em 21 de março de 2006, o Museu da Língua Portuguesa celebra 20 anos já tendo recebido mais de 5 milhões de visitantes e 25 prêmios nacionais e internacionais, entre eles a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura - maior honraria do setor no Brasil.
Localizado no histórico prédio da Estação da Luz, centro paulistano, o museu escolheu São Paulo como sua casa por ser a cidade com a maior população de falantes de português no mundo. Porta de entrada dos imigrantes que chegavam ao país, a estação consolidou-se como um espaço de diferentes culturas e sotaques de todo o Brasil.
Iniciativa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa do Estado, o Museu foi a primeira instituição do mundo inteiramente dedicada a um idioma. "Nosso diferencial é trabalhar com um patrimônio, que ao mesmo tempo é de todos e de cada um de nós: a língua. Isso faz com que o visitante não seja um mero observador, mas alguém que se reconhece no conteúdo do museu", disse Renata Motta, diretora executiva do Museu da Língua Portuguesa.
Para Renata Motta, a missão de celebrar a língua portuguesa se fortaleceu bastante ao longo das duas últimas décadas. "Hoje, o Museu assume ainda mais o compromisso de refletir sobre a língua como um campo de disputas, diversidade e construção social. Passamos a enfatizar a pluralidade do português brasileiro, as contribuições das línguas indígenas e africanas e o reconhecimento do Brasil como um país multilíngue. O Museu ainda se fortaleceu como espaço de escuta, diálogo com o território e promoção do acesso à cultura como um direito", afirmou.
Em comemoração ao seu 20º aniversário, o museu lança, neste sábado (21), a plataforma virtual e gratuita "Acervo Digital Museu da Língua Portuguesa". O banco de dados reúne imagens, vídeos, sons, textos e conteúdos interativos produzidos pelo Museu ao longo de sua trajetória, como manifestações culturais, artísticas e a língua falada no cotidiano. O acesso é feito pelo www.acervo.museudalinguaportuguesa.org.br
Interatividade e multimídia
Desde sua inauguração, o Museu vem se destacando na cena cultural por meio de recursos interativos e multimídia que celebram a diversidade e a originalidade da língua portuguesa que estimulam a reflexão crítica sobre a cultura e reconfiguram a noção sobre o que é um museu.
"Sempre houve um cuidado em ancorar essa experiência na história, na oralidade e nas diferentes formas de expressão da língua. O museu não substitui a memória pela tecnologia, ele a utiliza para tornar essa memória acessível, sensível e compartilhável. Por isso, seu principal desafio e uma das suas maiores riquezas é atualizar um acervo que acompanhe um idioma que está sempre se transformando", explica a diretora executiva.
A atualização acontece por meio de exposições temporárias, pesquisas desenvolvidas pelo Centro de Referência, parcerias com universidades e instituições culturais, além do diálogo constante com artistas, coletivos, curadores e públicos diversos.

No primeiro andar, o público encontra as exposições temporárias. Ao longo de sua trajetória, o museu já recebeu 24 mostras desse tipo, com duração média de seis a oito meses. As primeiras homenagearam escritores célebres, como Clarice Lispector, Machado de Assis, Jorge Amado, e o cantor Cazuza. Com o tempo, o perfil das exposições passou a refletir a cultura musical e nuances do idioma, como o uso dos termos menos e menas.
No segundo pavimento, está a exposição principal ou permanente "Viagens da Língua" composta por diversas instalações multimídias. Dentre elas, está o "Português do Brasil", uma linha do tempo com a história da origem, formação e modificações atuais do português falado do Brasil ao longo dos séculos. O visitante ainda encontra o "Beco das Palavras", uma experiência interativa em que pode movimentar sílabas de uma palavra em uma mesa interativa; "Palavras Cruzadas", uma instalação interativa na qual o visitante descobre a origem de palavras, dentre outras experiências.
No último andar, temos o "Falares" que mostra em nove telas de tamanho real que mostram depoimentos de pessoas de diferentes regiões do Brasil que falam diversos sotaques - traço típico de um país com dimensões continentais como o nosso. Há também outro expositor audiovisual com pesquisadores da língua portuguesa que explicam sobre o acordo ortográfico, conceitos de certo e errado e outras questões.
No mesmo piso, o visitante encontra o grafite "O que quer que pode esta língua?" de Daniel Melim, a obra "Lute" de Rubens Gershman, o que "Pode a Língua" (vídeo sobre o poder da linguagem exibido no auditório) e "Praça da Língua" (planetário das palavras, com textos literários famosos da nossa língua projetados no teto).
Além das exposições, o Museu também desenvolve projetos em parceria com grupos que oferecem atividades físicas para idosos e oficinas artísticas, sessões de cinema gratuitas e ao ar livre. Também são realizadas iniciativas de acolhimento a pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Reinvenção
O incêndio ocorrido em 2015 destruiu parte importante da estrutura física e dos conteúdos instalados no museu, despertando a reflexão sobre o que entendemos por memória e patrimônio. Mas, também trouxe a possibilidade de atualizar e revisar os conteúdos e as próprias experiências.
"O incêndio nos fez compreender ainda melhor que a memória não está apenas na dimensão material, mas também nas pessoas, nas experiências, nos conhecimentos compartilhados e nas relações que o museu constrói com a sociedade", disse Renata.
Após passar por trabalhos de reconstrução, o museu reabriu em 2021 oferecendo experiências mais diversas e inclusivas, com foco em educação, multilinguismo e participação social de forma estruturada, como as novas sessões "Nós da Língua" e "Falares" que ampliam o diálogo com diferentes públicos.
A nova versão também ampliou o diálogo com o território, fortaleceu a ideia do museu como espaço de convivência e construção coletiva, preservando a ideia do museu como espaço de abordagem crítica e contemporânea da língua não apenas como herança, mas como prática viva em constante transformação.
"Depois de duas décadas, um incêndio e uma reconstrução, eu diria que a palavra que melhor define a história do museu é reinvenção. Isso ocorre porque o museu nasce com uma proposta inovadora, se consolida como uma referência, enfrenta uma perda e, ainda assim, se reconstrói, se atualiza e retorna mais forte, diverso e conectado com o seu tempo", frisa Renata.
Ao longo da sua trajetória, a relação do museu também foi se reinventando, atraindo públicos de diferentes idades, origens e repertórios, se transformando a partir dessa relação com as pessoas.
Língua viva
Surgido do galego-português, o português é falado por cerca de 260 milhões de pessoas ao redor do mundo. Além do Brasil, é a língua oficial em Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial e Timor Leste.
Nosso idioma possui aproximadamente 500 mil palavras, mas a influência de outras línguas e as transformações na sociedade contribuem para formar novas palavras, tornando a língua viva e dinâmica.
Em referência aos diversos sotaques e variações linguísticas do Brasil, devido às suas dimensões continentais, o escritor português José Saramago, ganhador do prêmio Nobel de Literatura, disse: "o correto não é falar língua portuguesa, é falar línguas portuguesas".
Notícias relacionadas
- Celebração das Artes: Alesp recebe exposição que reúne artistas da América Latina
- Espaço Cultural V Centenário recebe exposições de grafite
- AO VIVO: Comissão de Educação e Cultura realiza encontro para votar proposituras
- Comissão de Educação e Cultura dá aval a projeto de lei que altera composição de conselho estadual
- AO VIVO: Comissão de Educação e Cultura realiza encontro para debater e votar proposituras
- Comissão aprova projeto que institui aulas de defesa pessoal para alunas
- Medida aprovada em comissão propõe nova disciplina na rede pública de ensino
- Confira opções de lazer nas férias
Notícias mais lidas
- Plenário da Alesp aprova novas regras para promoção de policiais civis
- Projetos de reajuste e reestruturação das carreiras policiais é tema da 28ª Sessão Ordinária
- Dezembro Vermelho: pesquisas de cura do HIV avançam em universidade pública paulista
- Deputado pede a Estado proteção a perito que relatou pressão na investigação do caso Vitória
- Em Sessão da Alesp, parlamentares defendem aumento maior para polícias
- Projetos de lei voltados às Polícias Civil e Militar pautam 30ª Sessão Ordinária
- Alesp aprova e motos de até 180 cilindradas não pagam mais IPVA em SP
- Deputado comemora a obrigatoriedade da execução do Hino Nacional nas escolas do Estado de São Paulo
- Servidores cobram aplicação imediata do 'Descongela Já'
Lista de Deputados
Mesa Diretora
Líderes
Relação de Presidentes
Parlamentares desde 1947
Frentes Parlamentares
Prestação de Contas
Presença em Plenário
Código de Ética
Corregedoria Parlamentar
Perda de Mandato
Veículos do Gabinete
O Trabalho do Deputado
Pesquisa de Proposições
Sobre o Processo Legislativo
Regimento Interno
Questões de Ordem
Processos
Sessões Plenárias
Votações no Plenário
Ordem do Dia
Pauta
Consolidação de Leis
Notificação de Tramitação
Comissões Permanentes
CPIs
Relatórios Anuais
Pesquisa nas Atas das Comissões
O que é uma Comissão
Prêmio Beth Lobo
Prêmio Inezita Barroso
Prêmio Santo Dias
Legislação Estadual
Orçamento
Atos e Decisões
Constituições
Regimento Interno
Coletâneas de Leis
Constituinte Estadual 1988-89
Legislação Eleitoral
Notificação de Alterações