Frente da Alesp debate lipodistrofia, doença rara que desregula a distribuição de gordura

Síndrome provoca perda de gordura sob a pele e acúmulo em órgãos como o fígado e coração, comprometendo o metabolismo; especialistas defenderam capacitação médica para diagnóstico precoce
15/04/2026 16:03 | Saúde pública | Da Redação - Fotos: Bruna Sampaio

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Frente das Doenças Raras debate lipodistrofia<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-04-2026/fg363280.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Amary: visibilidade, informação e mobilização<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-04-2026/fg363300.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Ana Maria: desconhecimento clínico é entrave <a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-04-2026/fg363301.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Bonato: longa jornada por atendimento<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-04-2026/fg363302.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

A Frente Parlamentar das Pessoas com Doenças Raras da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo debateu, nesta quarta-feira (15), os desafios no diagnóstico e no tratamento da lipodistrofia - síndrome que altera a distribuição de gordura no organismo e desencadeia complicações metabólicas graves. A doença, que pode se manifestar nas formas genética ou adquirida, eleva o risco de resistência à insulina, diabetes e esteatose hepática (fígado gorduroso).

Coordenadora da Frente, a deputada Maria Lúcia Amary (PSD) afirmou que o colegiado busca ampliar a visibilidade da causa das doenças raras, definidas pela baixa incidência - até 65 casos por 100 mil habitantes. "É um instrumento de visibilidade, de informação e de mobilização para que possamos avançar na construção de políticas públicas mais efetivas e no acolhimento digno", disse.

Armazenamento de gordura

Diretora do Centro de Referência em Erros Inatos do Metabolismo (Creim) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a médica geneticista Ana Maria Martins explicou que a lipodistrofia está associada à deficiência de leptina, hormônio responsável por regular o armazenamento de gordura. Sem a substância, o organismo passa a distribuir de forma inadequada o tecido adiposo, com perda da gordura sob a pele e acúmulo em órgãos como fígado e coração.

Para a especialista, o desconhecimento clínico ainda é um dos principais entraves ao diagnóstico precoce. "A gente só pensa em um diagnóstico daquilo que se tem bagagem, que conheceu", afirmou. Ela também criticou a ausência do tema das doenças raras nos currículos de formação médica e defendeu a capacitação contínua de profissionais da atenção básica.

Longa jornada

Entidades como o Instituto Amor e Carinho, de Campinas, que atende 1500 pessoas com diferentes doenças raras, relataram casos de pacientes que levaram até dez anos para obter diagnóstico conclusivo. "O tempo continua correndo, a doença evoluindo e o diagnóstico não é fechado", afirmou o diretor Marcos Bonato, ao lamentar a longa jornada por atendimento. Ele destacou a importância do acolhimento e do suporte multidisciplinar para garantir a qualidade de vida dos pacientes.

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